
Hoje, estamos abordando um assunto delicado, que vai gerar muita discussão e debate.
Um reflexão sobre o atual momento no MMA brasileiro que está vivendo uma situação no mínimo curiosa.
O “boom” do UFC de certa maneira ajudou muitos eventos a nascerem mas ao mesmo tempo trouxe a tona problemas sérios que antes ficavam no esquecimento.
O que seria melhor para o MMA Nacional? Quantidade de eventos ou poucas edições mas com uma grande produção e organização.
É claro que todos nós queremos que ambas as opções andem de mãos dadas mas sabemos que infelizmente este desejo está bem longe de se concretizar.
Eventos como o carioca Webfight Combat, o paranaense Smash Fight e o extinto Max Sport além do evento paulista SFT, trouxeram um alto custo de produção.
Buscando seguir o mesmo caminho de excelência do UFC, estes eventos conseguiram até excelentes resultados devido sua marca ainda ser nova no mercado sendo que ambos não possuem uma base sólida de fãs como o Ultimate.
Mas o lado financeiro, um dos grandes inimigos do MMA Nacional mais uma vez puniu duramente as organizações e neste ano de Copa do Mundo, sem recursos e parceiros acabaram puxando o freio e deixando de realizar eventos em 2014.
Quem também sentiu duramente essa realidade é o evento nordestino Coliseu Extreme Fight, considerado um dos melhores do país.
Realizando edições sólidas e com grandes lutas, o evento também precisou diminuir o ritmo no segundo semestre.
Por outro lado, temos eventos que vem em um grande crescimento em meio a muitas dificuldades.
Sem ter o mesmo investimento financeiro dos eventos acima citados, edições como o Circuito Talent, MMA Super Heroes, Nitrix, Brasil Fight e WOCS são alguns exemplos de organizações que trabalham duro para estar sempre trazendo com freqüência eventos ao público.
Um fato preocupante acabou dando um verdadeiro “sinal amarelo” para o MMA brasileiro.
O evento Nitrix tentou realizar sua primeira edição fora de seu estado natal e devido a problemas burocráticos, não conseguiu concretizar o projeto e seu promotor chegou a anunciar o fim do evento mas voltou atrás mesmo revelando prejuízos acima de 100 mil reais em entrevista ao site MMA Sul.
O UFC atrapalha?
Após o anúncio de 7 edições neste ano de 2015, o Ultimate volta a repetir o mesmo número de edições neste ano que está chegando ao fim.
Para muitas pessoas, o UFC não é um problema mas outras acreditam que a quantidade de eventos realizados pelo Ultimate nos finais de semana, acaba tirando a atenção do público que poderia ser um alvo para os eventos nacionais.
Com o anúncio do calendário anual feito pelo UFC pela primeira vez neste ano, os eventos brasileiros tem a chance de se organizar e não correr o risco de ter uma edição de seu evento na mesma data do evento americano.
Problemas sérios e reclamações de todos os lados…
Os problemas do MMA no Brasil não param por aí.
Problemas graves como o amadorismo de muitos eventos, promotores que não cumprem com seus contratos e deixam suas organizações em dívida com seus atletas, edições mal organizadas sem cuidados básicos com higiene e sem equipe médica para socorrer atletas e público em caso de emergência, são alguns dos diversos relatos registrados no esporte.
Pelo lado dos promotores, críticas acerca da posição dos atletas que não ajudam o evento a promover suas edições e aumentem o interesses dos fãs pelo combate.
A falta de apoio governamental ao esporte que mesmo gerando inúmeros benefícios para a sociedade através das edições realizadas, os eventos são ainda esquecidos por governantes.
Os atletas reclamam do valor de suas bolsas e da falta de estrutura para trabalhar.
Um caso recente foi a manifestação de descontentamento pública do ex lutador e lenda do MMA, Wanderlei Silva que em uma série de vídeos vem criticando duramente as organizações, pedindo melhores condições de trabalho e valorização aos lutadores.
Os problemas são muitos, estes são apenas alguns entre vários casos que atrapalham o desenvolvimento do esporte.
E para mudar esta situação? O que pode ser feito?
Além de soluções, quem sabe os fãs, juntamente com equipes e promotores possam se unir e não apenas pensar somente no seu benefício.
O esporte vem sofrendo um crescimento mediante a maior visibilidade com a chegada das emissoras de TV e alguns veículos de internet, mas ao mesmo tempo, a cobrança por eventos com maior qualidade, vai aumentar.
E se as organizações não estiverem preparadas, o futuro pode vir a ser sombrio daqui a alguns anos.