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Patrício Pitbull preferiu manter segredo por um mês algo que só agora está sendo revelado: faltou muito pouco para a luta contra Pat Curran, realizada na última sexta-feira (5), ser cancelada. De fato, o lutador pediu para a organização do Bellator adiar o grande combate, considerado por ele próprio a luta mais difícil da sua vida.
Em entrevista para sua patrocinadora, a Everlast, o atleta revelou que teve problemas que por muito pouco o deixaram fora da luta pelo cinturão.
“Estava doente e machucado. Treinava apenas uma vez na semana. Fiz exames e diagnosticaram que eu estava com overtraining e múltiplas lesões. Avisei o Bellator e sugeriram que eu descansasse. Foi quando fui a um médico especialista e adotei um treinamento diferenciado. Faltando uma semana para a luta, me senti renovado e optei por manter o confronto de pé”, foi assim, em tom de desabafo e satisfação, que Patrício contou como foram as semanas que antecederam a vitória sobre Curran.
“Não queria que isso vazasse para a mídia, nem para ninguém. E não saiu nada. Também não sairia se eu tivesse perdido. As pessoas me perguntam muito como foi a preparação para a luta e achei por bem revelar essa história”, conta.
Um problema ainda mais grave, com a esposa do lutador, coincidiu para agravar ainda mais a situação. “Minha mulher estava grávida e perdeu o bebê. Tudo parecia dar errado na minha vida. Mas meus treinadores me motivaram e o final acabou sendo o melhor. Por tudo isso a vitória foi ainda mais especial”, completa o atleta.
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Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista feita com Patrício Pitbull:
Quando você começou a desconfiar que estava lesionado?
Patrício – Há cerca de 30 dias, fui fazer uma filmagem em Nova Iorque para a divulgação da minha luta e me colocaram pra fazer alguns movimentos, entre eles, a joelhada voadora. Em uma dessas filmagens, quando toquei o chão, meu joelho fez um movimento que eu nunca tinha sentido. Mexeu a patela. Fiz exames e foi constatada uma lesão de grau um no menisco. Até então, não era nada sério, mas senti meu joelho ‘falhar’ várias vezes durante os treinamentos. Também estava com outras pequenas lesões, como o dedo do pé esquerdo fraturado e o dedão do pé direito fora do lugar. Tudo isso, somado, incomodava demais.
E depois aconteceram outros problemas?
Patrício – Com o tempo, as articulações começaram a inflamar. O ombro também estava com muita dor e eu não conseguia treinar com desenvoltura. Sempre tinha febre após os treinos, às vezes até durante. Para carregar uma bolsa, era um sacrifício. Estava esgotado. Quando dormia, a cama ficava ensopada de suor de tanta febre que eu tinha. Fiz exames e foi diagnosticado que eu estava com overtraining e múltiplas lesões. A partir daí, optamos por cancelar a luta.
A preparação até o dia do combate foi o mais intenso de toda a sua carreira?
Patrício – Esses dez meses foram intensos, mas nos últimos 30 dias, foi uma preparação na base da superação. Descansei por uns dias e optamos por uma dieta e um treinamento diferenciado, com bastante fisioterapia. Mesmo sentindo dor, comecei os treinos e me senti bem melhor, com mais energia. Depois fiz um treino e fui bem. Dois dias depois (uma semana antes da luta) fiz um sparring e consegui fazer tudo que meus treinadores traçaram para a luta. Foi a partir disso que resolvi oficializar o combate. Entreguei nas mãos de Deus.
E passado todo esse ‘martírio’, como serão os próximos dias do Patrício?
Patrício – Quero parar no mínimo por uns 20 dias. Foram dez meses muito intensos, com três camps seguidos. Foram mais de seis lesões, em diferentes partes do corpo. Vou esperar desinflamar tudo para voltar a treinar. Neste período, a fisioterapia continua. Isso é rotina nos meus 11 anos de carreira. Não dá para parar.
Dá para cravar que a luta contra o Curran foi a mais difícil da sua carreira?
Patrício – As duas lutas contra ele foram as mais difíceis. Ele foi o único que conseguiu me acertar tantas vezes. Esse último combate foi o principal, com muita técnica e tática. Eu consegui acertar os melhores golpes, quedas, e derrubei ele ao menos três vezes com socos. Tive uma performance para ser campeão e os juízes não tiveram dúvida dessa vez.
E o que dá para tirar de conclusão dessa vitória?
Patrício – Depois de tudo isso, tenho certeza que posso enfrentar qualquer lutador. Se vou ganhar ou não, saberemos quando as lutas ocorrerem. Mas sempre buscarei a vitória e trabalharei para que ela venha.