
O Brasil é o país do futebol. É inegável e todo mundo espera isso. Pelo menos, Pia Sundhage esperava.
Em julho de 2019, Pia tinha uma passagem – apenas de ida- em mãos. O destino era o solo tupiniquim. À frente, um grande desafio: comandar a Seleção feminina da tal terra do futebol. Uma responsabilidade e tanto.
É verdade também que a técnica trazia uma bagagem de peso. Na mala, um bi campeonato olímpico. Os títulos foram faturados em Pequim 2008 e Londres 2012, quando comandava a equipe feminina norte-americana,
Ao desembarcar no Rio de Janeiro, onde também conquistou uma medalha Olímpica de prata, com a equipe sueca, Pia viu o que imaginou. “Esse país respira futebol, e eu esperava isso”, afirmou a técnica em entrevista exclusiva ao Blog Entrelinhas. “Não importa onde estou. Quando estou na praia, as pessoas estão jogando bola. Tem muito futebol na TV também, é só escolher onde quer assistir”.
“Eu não falo português, é muito difícil”, afirma Pia from Gazeta Esportiva on Vimeo.
Hoje, há um ano e meio no comando da equipe feminina, Pia já está acostumada com a cultura brasileira – exceto, claro, com o idioma português, que soa rápido demais para a técnica. Aos 60 anos de idade, ela não hesita ao reconhecer que tem suas dificuldades com a nova língua. Apesar disso, seu objetivo é alcançar a fluência.
“Tenho que ser paciente. Mas isso é bom para uma técnica, ser paciente, esperar pelo resultado”, destaca a comandante, entre risos. “Às vezes, entendo uma palavra, aqui ou lá, talvez, em alguns anos, eu entenderei esse idioma”.

Como nem todas as jogadoras da Seleção falam inglês (idioma usado durante essa entrevista), inovação se torna a palavra chave para se fazer entender. Juntas, equipe e comissão técnica, encontram maneiras de driblar essas barreiras. Uma dessas formas é dividir a Seleção em grupos. Neles, pelo menos uma fala inglês e serve como tradutora para as colegas de equipe.
Pia destaca a comunicação como fator importante de sua profissão. Para ela, mais do que conseguir falar com as jogadoras, é preciso mergulhar na cultura delas. “Para ter sucesso com essa equipe, é importante respeitar e conhecer a cultura”.
Samba, Alceu Valença e feijão: a adaptação de Pia no Brasil from Gazeta Esportiva on Vimeo.
Nesta terça-feira, você acompanha, aqui, no Entrelinhas, a segunda parte da entrevista. O papo é sobre a cultura brasileira e os impactos dela no jogo.

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