
O Torneio Rio-São Paulo e depois o Campeonato Brasileiro eram recheados de craques. Dorval, Coutinho, Mengálvio, Pelé e Pepe encantavam no Santos. Carlinhos Violino brilhava no Flamengo, primeiro como jogador e depois como técnico. O São Paulo tinha como grande atração o uruguaio Pedro Rocha. Toninho Guerreiro se destacava também. O Palmeiras, regido por Ademir Da Guia, deitava e rolava. O Divino ainda tinha o eterno companheiro Dudu, bastante aplicado taticamente. Sem falar do eclético Tostão, no Cruzeiro. Baixa estatura e muita eficácia. Uma época diferente de agora, quando prevaleciam o futebol arte, a criatividade e a individualidade.
A prática de um bom futebol ainda prevaleceu com Zico no Flamengo; Sócrates, no Corinthians; Roberto Dinamite, no Vasco da Gama; Careca, no Guarani e no Tricolor; Toninho Cerezo, no Atlético Mineiro; Falcão, na Roma da Itália. Porém, já não era a mesma coisa. O futebol tinha se profissionalizado mais ainda, tirando o aspecto romântico de cena. A mística dos campos de terra batida e esburacados daria espaço para estádios padrão Fifa, supermodernos, mergulhados na tecnologia de última linha. Tudo mudou, da água para o vinho.
O assédio do futebol europeu surgiu firme no mercado, levando a geração das Copas de 1982 e 1986 embora. O mesmo aconteceu com os craques do tetra e do penta. Ainda bem que todos obtiveram méritos. Romário foi eleito o melhor jogador da Copa de 1994; enquanto Rivaldo, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho dividiram as glórias internacionais no pentacampeonato na Copa de 2002. E foi só. De lá para cá, o nível caiu bastante. Hoje em dia, jovens talentos das categorias de base saem cedo do País. Nem sempre têm sucesso.
Agora prevalecem os números, as estatísticas falam mais alto, trocando o talento por dados frios, não exigindo tanta categoria dos jogadores. O futebol brasileiro empobreceu. Está preso a esquemas e regras rígidas de mercado. O lado lírico, romântico ficou para trás. Mesmo assim, a expectativa para atual temporada é enorme. Ano de Mundial, grandes torneios e disputas empolgantes. Talvez a prática do bom futebol volte a encantar os olhos de todos. Tomara que o espírito dos velhos tempos volte a reinar. O torcedor merece.
E tenho dito!