
Para mim, a maior seleção brasileira de todos os tempos foi aquela tricampeã no México. Era uma constelação de craques. Estavam lá Pelé, Tostão, Rivellino, Gérson, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres. Até a tática adotada pelo técnico Zagallo era inédita: um 3-6-1, com um meio-campo marcador e bem ajustado, permitindo a criatividade técnica no setor e uma grande objetividade no ataque. Foi o auge do futebol arte no Brasil. Destaque também para o “furacão” Jairzinho, o artilheiro. Primeiro veio a crise técnica, depois a carência de jogadores. Nível caiu vertiginosamente. O técnico Carlo Ancelotti herda uma tradição de peso.
A queda técnica começou com a Era Telê Santana. Mesmo tendo jogadores fora de série como Sócrates, Zico, Falcão e Toninho Cerezzo, fracassou em duas Copas. O futebol era bonito de se ver, com pouca eficiência. Não havia um esquema tático definido e os jogadores faziam o que bem entendiam em campo. Uma “bagunça organizada” que terminou mal. Os craques ficaram valorizados. Todos acabaram indo para o futebol europeu por um bom dinheiro. Mas ficaram devendo os títulos.
As conquistas do tetra e do penta saíram dos pés de Romário e Bebeto; Rivaldo e Ronaldo Fenômeno, autores de gols e de jogadas fundamentais durante as partidas mais complicadas. Com exceção deles, o restante compôs o elenco. Foram formados dois times muito bons com liberdade total para a criatividade. Naquela época, já se sentia a dificuldade de armar uma equipe pronta para conquistar títulos. Os “fora de série” começaram a se tornar raros e os treinadores utilizavam os mais esforçados, brigadores, cumpridores de ordens táticas, comprometendo a espontaneidade.
Na geração atual, prevalece o físico sobre a técnica. Se corre muito mais hoje do que antigamente, às vezes sem propósito e nem objetividade. O planejamento de jogo é confuso, complicando a cabeça do já limitado atleta nacional. Até a chegada de Carlo Ancelotti, a seleção brasileira passou por experiências ruins. Tanto é que se classificou nas Eliminatórias nas últimas rodadas para a Copa do Mundo. Na bacia das almas. Agora o italiano vai ter que juntar os cacos e montar uma equipe com as esperanças Raphinha, Vinícius Júnior, Estevam, Rodrigo e Paquetá. Será um Mundial difícil.
O Brasil é um dos favoritos, sem dúvida. A grandeza da sua história o credencia para isso. Torcer para Ancelotti tirar da cartola uma fórmula mágica que faça essa geração não deixar de correr, porém não se esquecer de jogar o futebol moleque, atrevido, que sempre foi marca registrada da bola verde-amarela.
E tenho dito!