
Pênalti bem batido é aquele que entra, já diria o artilheiro Evair, ex-Palmeiras. Tudo bem que Memphis, do Corinthians, assumiu a culpa por ter escorregado e perdido a penalidade no clássico do último domingo, em plena Neo Química Arena. Mas isso não elimina a chance de perguntar se existe uma fórmula mágica para cobrar faltas máximas e convertê-las. Vale bater de qualquer jeito da marca da cal. De pé esquerdo, pé direito; de bico, com o lado do pé ou de tornozelo, desde que a bola entre.
O erro não foi privilégio de Memphis. Em uma tarde chuvosa dos anos 1960, Corinthians e Santos estavam frente a frente no Pacaembu. Pênalti para o Peixe. Pelé se apresentou. O camisa 10 olhou, correu e bateu no canto esquerdo. O goleiro era um baixinho chamado Heitor. Como um gato, o corintiano pulou no canto e encaixou o chute do Rei. Se Pelé perdeu, qualquer um pode perder também. Bater um pênalti requer atenção, concentração e um pouco de sorte, coisa que nem Memphis e nem Pelé tiveram, nesse recorte de tempo.
Seguro mesmo é cobrar no meio do gol. A grande maioria dos goleiros escolhe um canto e pula antes mesmo do adversário chegar na bola. O zagueiro holandês Koeman, nos anos 1980, era especialista nesse tipo de cobrança. Tinha um chute potente demais e não perdoava na hora “h”. Defensores geralmente têm essa característica, até porque na essência são rebatedores de bola durante os 90 minutos.
De Zico, passando por Maradona e chegando em Marcelinho Carioca todos eram excelentes batedores. Mas todos perderam pênaltis na carreira. O pênalti não deixa de ser um estado de espírito. No momento da cobrança, as coisas se definem. Nem antes e nem depois. Não é uma ciência exata. Não adianta usar da matemática para decifrá-la. A batida é única e espontânea. Uma inspiração aliada à técnica e à categoria do cobrador. O azarado é o goleiro, que depende de um infortúnio do cobrador para se transformar em herói.
E tenho dito!