
Nuvens negras rondam o técnico Dorival Júnior no Corinthians. Embora esteja “prestigiado” (termo pejorativo na maioria das vezes) pela diretoria, nunca se sabe. São sete jogos sem vencer e com um futebol nada convincente. Diante das circunstâncias, surgem as especulações. Quem poderia substituí-lo em caso de queda? São quatro os “fantasmas”: Tite, seguido por Voyvoda, Crespo e Fernando Diniz. Todos estão livres na praça e são ameaças constantes. Qualquer deslize, e um deles assume o clube, o que seria uma tremenda sacanagem. Mas, de “cartolas”, tudo se espera.
Tite surge como o primeiro da lista. Já era para ter assumido em dezembro do ano passado. Teve um problema particular e recusou a proposta. Agora está livre no mercado e pronto para trabalhar. A seu favor somam-se as históricas conquistas do Mundial de Clubes e da Libertadores, em 2012; dois Brasileiros, em 2012 e 2015; uma Recopa e um Paulista, em 2013. São façanhas ainda muito vivas na memória do corintiano, que não esconde certa preferência pelo treinador.
Outra possiblidade efetiva é Vojvoda. O diretor de futebol do Timão, Marcelo Paz, trabalhou com ele durante muito tempo no Fortaleza e essa pode ser uma boa carta na manga, se precisar. Eles sempre se entenderam muito bem. Foram cinco títulos: tricampeão Cearense, em 2021, 2022 e 2023, e bi na Copa Nordeste, em 2022 e 2024. Passou pelo Santos, time fora do eixo nordestino, mas foi ineficiente. Não conseguiu “enquadrar” Neymar. Deixou-se levar pelos caprichos do jogador. Será que teria lastro para suportar as pressões no Corinthians? Fica a dúvida.
O “injustiçado” Hernán Crespo aparece como terceira opção. Vinha fazendo um ótimo trabalho, porém, acabou vítima do “capricho” dos dirigentes tricolores. Tem a fama de ser um bom “gerenciador” de elenco. É o famoso “Paizão”. Foi campeão paulista no São Paulo, em 2021; faturou a Sul-americana com o Defensa y Justicia, em 2020; fez bonito na Liga dos Campeões da Ásia com o Al Ain e nas taças do Catar com o Al-Duhail. Também fica no ar se encararia o desafio Alvinegro de frente. Tudo é mais tranquilo no São Paulo. Cobranças são menores.
O polêmico Fernando Diniz também está na lista. É um agito só à beira do gramado, briga com a arbitragem e xinga os jogadores. Mesmo tendo um gênio do “cão”, ganhou títulos importantes. Libertadores, em 2023, por exemplo; Recopa Sul-Americana, em 2024; Carioca, em 2023; além da Série A3 do Paulistão e da Copa Paulista, em 2009, os dois torneios pelo Votoraty. Pressões são grandes no Timão. Ficar com os nervos à flor da pele durante os 90 minutos ou mais, não é lá muito recomendável. Essa não é a cara do Corinthians. Nem a Seleção Brasileira deu jeito nele.
Alguém chegando de “Marte” hoje não entenderia por que Dorival está com a corda no pescoço. Afinal, ganhou a Supercopa Rei há pouco mais de um mês e encerrou a temporada de 2025 erguendo a Copa do Brasil. Por falta de títulos na carreira, também ninguém pode criticá-lo. Nenhum dos “candidatos” é páreo para ele. Tem uma Libertadores; uma Recopa Sul-Americana; quatro Copas do Brasil; uma Série B e sete campeonatos estaduais. Sem falar na passagem pela Seleção Brasileira, marcante pelo fracasso. É aquele treinador que tem a chave do vestiário: o primeiro a chegar e o último a sair. Tem o respeito dos dirigentes e jogadores.
Só falta mesmo a bola entrar e o time voltar a vencer para as especulações acabarem. Vários gols têm sido perdidos e vitórias, escapado. Quem sabe a parada da data Fifa coloque a casa em ordem e espante os “fantasmas” que rondam o Parque São Jorge. Não será fácil substituir Dorival. Há tempos o Timão está sem um técnico sério para defender os interesses dos jogadores e do clube. Maus resultados não devem ser parâmetro. A temporada está apenas no começo e a má fase passa, para o sossego da Fiel.
E tenho dito!