
O goleiro é 50% de um time de futebol. Jandrei que o diga. Nessa tarde de domingo, no Morumbi, ele foi o grande destaque do São Paulo no empate sem gols com o Ituano, pelo Paulistão. Além de ótimas defesas, Jandrei pegou um pênalti cobrado por Gerson Magrão e salvou o Tricolor da segunda derrota seguida na competição, o que seria um desastre atuando em casa.
O técnico Rogério Ceni resolveu mudar praticamente a equipe toda para tentar a primeira vitória. Sacou Tiago Volpi e colocou Jandrei. Apostou em Miranda, Patrick e Diego. A intenção era fazer uma boa marcação, ter saída de bola fácil e maior poder ofensivo. O esquema tático 3-5-2 acabou prevalecendo e boas jogadas começaram a surgir. Patrick deu a Gabriel Sara, que rolou para Nikão. Camisa 10 bateu de prima e Pegorari salvou.
JANDREI PEGOU PÊNALTI
Era um time melhor do que aquele da estreia contra o Guarani, na derrota de 2 a 1. Já o Ituano fechou-se em copas na defesa. O treinador Mazola Júnior sem o menor pudor de usar o 5-4-1 e optar por contra-atacar nas costas da zaga adversária. Circunstâncias propícias para equipe tricolor.
Ai, então, Igor Henrique finalizou forte, Gabriel Sara pulou com os braços abertos, bola na mão e arbítrio deu pênalti. Gerson Magrão bateu no canto esquerdo e Jandrei espalmou. Estreante iluminado. Caiu no canto certo e pegou no chão. Companheiros, animados, foram para cima.
QUASE GOL OLIMPICO
Depois de um erro infantil de Miranda (tomou amarelo mas deveria ter recebido vermelho), muita confusão, cobrança de escanteio pela esquerda de Alisson, quase um gol olímpico. Caprichosa, pelota beijou o poste oposto do goleirão. Se Ceni acertou no esquema tático, o time ainda se mostrou pouco à vontade. Errava muito na troca de passes e só oferecia perigo, quando Alisson descia pela esquerda.
Impacientes, alguns torcedores começaram a vaiar. Na verdade, a equipe de Itú de boba nada tinha. Bem treinada, executava uma marcação implacável nos são-paulinos. Só encontrava grandes dificuldades para ameacar o Tricolor. As tentativas de contra-ataque não encaixaram.
DESENTROSAMENTO
Pelo jeito, Ceni gostou do que viu e manteve a mesma equipe para a etapa final. Na base do toque rápido, o Ituano chegou com perigo. Gerson Magrão lançou Calyson, que chutou para fora. Foi fominha. Poderia ter devolvido para Magrão. O desentrosamento, no entanto, ainda era visível no São Paulo. Patrick e Rodrigo Nestor ainda precisam ser “apresentados” nos vestiários. Se confundem no posicionamento pelo setor central.
Rafinha era outro perdido pela lateral direita. Foi aparecer aos 11 minutos, quando cruzou certeiro para Patrick cabecear e Pegorari espalmar. Wellington, pela esquerda, também não disse para que veio. Tricolor corria bastante e chegava pouco, para desespero geral. A bem da verdade, pouco incomodou a meta adversária.
MUDOU POR ATACADO
Ceni perdeu a paciência com Nikão, Patrick e Wellington e colocou Carelli, Reinaldo e Caio. Mudou por atacado para ver se a coisa andava. Caio se destacou na última Copinha como artilheiro. Querendo mostrar serviço, ia para cima do marcador, arrancando incentivos da torcida.
Foi o Ituano, porém, a perder gol certo. João Vitor driblou o beque e finalizou torto, para fora. Grossura falou mais alto. Finalmente, Carelli abriu para Alisson. Atacante bateu errado. Pelo menos uma jogada de aproximação saiu. Igor Henrique, de falta, obrigou a Jandrei tocar para fora.
SÓ UM MILAGRE
Pelota sobrou para Rodrigo Nestor, que concluiu com perigo para fora. Vieram, então, Pablo Maia e Éder para as saídas de Nestor e Rigoni. No entanto, em termos coletivos, equipe deixou a desejar. Alisson cruzou, Éder deu uma “chicotada” e o beque tirou. Só mesmo um milagre para tirar o Tricolor desse buraco de tatu. Talvez uma bola parada ou espirrada para sair o golzinho salvador.
Bola parecia pesar 100 quilos, tal a dificuldade de movimentação e controle da coitada. De repente, João Vitor saiu sozinho na cara de Jandrei. Goleiro fechou bem o ângulo e atacante perdeu outra vez. Não teve tranquilidade na hora de finalizar. Partida ruim do Tricolor. Se não fosse Jandrei, amargaria a segunda derrota.
E tenho dito!