
“Vaias para o Palmeiras porque ele merece”, diria o Velho Guerreiro, Chacrinha, buzinando sem parar a equipe desafinada. “Sem vergonha, time sem vergonha “, gritaram das arquibancada os torcedores, revoltados. Essa foi a trágica volta do time do técnico Abel Ferreira ao Allianz Parque, quando foi derrotado vexatoriamente por 4 a 2 pelo Bragantino diante de 8 mil 884 pagantes (puxeram à venda 13 mil e 500). Torcida “que canta e vibra” vaiou o surpreendente fracasso, em dia de festa. Uma ópera bufa.
Pela primeira vez diante da torcida, uma novidade para o técnico Abel Ferreira, que dirigiu a equipe até agora sem público por causa da Pandemia. Animado, portuga entrou com um esquema tático mais agressivo, com três homens no ataque: Dudu, Rony e Wesley. O Bragantino, por sua vez, manteve a personalidade, com um bom posicionamento e apostando em ataques esporádicos.
UMA SAPECADA
A primeira chance coube ao Red Bull. Ytalo quase pegou Jailson de surpresa. Verdão retrucou com Dudu. De fora da área, “chumbou” o poste esquerdo de Cleiton. Uma partida disputada e cheia de surpresas. Da lateral direita, Aderlan acertou um lançamento de 40 metros. Ytalo dominou na corrida e fuzilou Jailson, sem dó e nem piedade, 1 a 0. Grande jogada e um golaço. Falha de cobertura da dupla de zagueiros alviverdes.
Jailson salvou gol certo. Cuello cruzou ou chutou. A pelota pegou efeito e tinha o destino das redes. Braga rodava de um lado para o outro e envolvia o adversário até com facilidade. Na pressão, escanteio para o Palestra. Sobrou para Rony, Cleiton espalmou. Na dividida, Luan foi derrubado dentro da área. Árbitro deu pênalti. Bandeirinha, porém, na origem assinalou impedimento de Rony.
ARTHUR DETONOU
Raphael Veiga tocou para Dudu. Atacante cortou para dentro e chutou. Cleiton caiu no canto e catou. Para variar, Abel reclamou e levou cartão amarelo. Danilo Barbosa perdeu na hora errada. Cuello, então, recebeu pelo miolo e arriscou. Desvio em Luan “matou” Jailson, 2 a 0.
Palmeiras mal deu a saída, Cusevic errou passe. Ytalo ficou livre e percebeu a chegada do ex-palmeirense Arthur. Com calma e categoria, fintou o beque e colocou no canto direito de Jailson, 3 a 0. Foi a gota d’água.Torcida começou a xingar o portuga. Luiz Adriano e Dayverson bateram boca com a chamada “turma do amendoim “. Baixaria.
REAÇÃO INÚTIL
Equipe alviverde completamente desnorteada. Ficou insegura, errou passes e mergulhou em uma terrível confusão tática. Aí, então, Wesley notou Cusevic. Beque deu uma de ponta-direita e cruzou. Dudu cabeceou no meio do gol, 1 a 3. Cleiton bobeou no lance. Torcida parou de vaiar e era só incentivo. Dudu chamou a responsabilidade. De novo chutou sem ângulo e goleiro espalmou.
Gabriel Veron entrou no intervalo. Saiu Wesley. Era tudo ou nada para o Palmeiras. Perder em casa bem no retorno da torcida, sempre exigente demais, seria desastroso. Arthur, de início, ficou cara a cara com Jailson que chegou antes e despachou. Dudu cobrou falta pela esquerda, desvio na defesa e Luan testou para fora.
FALTOU RAÇA
Partida prometia grandes emoções até o final. Braga estava bem organizado e apostava em um erro palestrino para fazer o quarto. Danilo Barbosa deixou o gramado para chegar Luiz Adriano. Dudu, protagonista, obrigou grande defesa de Cleiton. No rebote, Aderlan cometeu pênalti em Jorge. Raphael Veiga não perdoou, marcou: 2 a 3.
Ambiente ficou todo favorável aos donos da casa. Afinal, Red Bull tem problemas para segurar placares ao seu favor. Foi assim contra o Corinthians (2 a 2, em Bragança Paulista). Verdão para cima com tudo. Dava para empatar e virar. Agora era a vez do visitante segurar a onda. Deixou o domínio de bola para o time do portuga e esperou. A qualquer momento, o “tiro” mortal.
Não deu outra.Triangulação entre Helinho, Ytalo para finalização perfeita de Arthur, 4 a 2. Situação dramática do Palmeiras. Dudu era o único que se esforçava para valer. Breno Lopes e Gustavo Scarpa vieram e foram embora Cusevic e Jorge. Alterações tardias de Abel.
Na base do bumba-meu-boi, bola estourou na trave e, na sobra, Cleiton defendeu duas vezes. Não era dia do Palmeiras mesmo. Uma jogada infeliz atrás da outra. Dayverson era o último cartucho de Abel. Uma derrota incontestável. Time facilitou demais. Pe sou que venceria tranquilo e quebrou a cara (ou seria o focinho?).
E tenho dito!