Crespo queimou a língua em Chapecó

Foto: Divulgação/Rubens Chiri

Antes do jogo, o técnico Hernan Crespo disse que era obrigação do Tricolor derrotar a Chapecoense, última colocada do Brasileirão. Uma declaração, no mínimo, arrogante e provocativa. Em campo, 1 a 1, entre São Paulo e Chape, na tarde deste domingo, em Chapecó. Ou seja, Crespo mordeu a língua. Foi infeliz na declaração e provocou o decadente adversário. Os gols foram de Rigoni e Mike, para aumentar a agonia tricolor, ainda ameaçado pela parte de baixo da tabela.

Aliás, Crespo não tem o costume de agir dessa forma. Na verdade, ele está visivelmente pressionado por dirigentes e torcedores. A escalação de Éder, que ameaçou deixar o clube caso continuasse na reserva, foi um bom exemplo do “arrocho” dentro do elenco.

Nada do que Crespo prometeu aconteceu. Pelo contrário. Equipe cheia de atacantes, pecava pela ausência de um armador, alguém que colocasse o pessoal lá da frente na cara do gol. A Chape, por sua vez, apresentava um futebol ruim. Mal conseguia passar do grande círculo de tão desarrumada e sem um mínimo de organização tática. Não é à toa estar praticamente rebaixada para 2020.

Ai, então, a sorte sorriu para o treinador hermano. Liziero chocou-se com o marcador. A bola sobrou para Rigoni, que deu uma pancada no ângulo e abriu o placar, 1 a 0. Os donos da casa perderam chance certa com Anselmo Ramon. Na resposta, Rigoni ganhou na corrida do zagueiro, penetrou com equilíbrio e arriscou uma “cavadinha” na frente de Keiller. Caprichosamente, a bola raspou o poste direito, indo para fora.

Do ponto de vista técnico e tático, uma partida deprimente. Duas equipes preocupas em não perder de jeito nenhum. Somar pontos era a palavra de ordem e o espetáculo que se dane. Na etapa final, nada mudou. O espírito da coisa era o mesmo. Bola para o mato em jogo de campeonato. Coisinha feia demais.

Apesar da mediocridade, estava mais para o São Paulo fazer o segundo do que a Chape empatar. Luciano rolou para Rigoni. De novo, enfeitou demais e perdeu ótima oportunidade. Sairam, então, Éder e Liziero para as entradas de Luan e Calleri. E o argentino quase marcou quando recebeu de Luciano um passe açucarado.

E veio a “zebra”. Cruzamento da esquerda, de Geuvânio após tabela com Dener, Mike entrou como um foguete e deixou tudo igual, 1 a 1. VAR checou e validou. Um castigo para a fata de concentração dos são-paulinos. Um lance antes, goleiro Tiago Volpi foi displicente, cedeu um escanteio sem necessidade, o que originou o empate do adversário, um time bem inferior.

Calleri até fez o dele, completamente impedido. Crespo tirou Galeano e apostou em Igor Gomes. Rodrigo Nestor arriscou de longe e Keiller encaixou. Pressão tricolor. Goleiro soltou bola fácil e Carelli desperdiçou. Correria desenfreada para cima da Chape. Árbitro deu seis minutos de acréscimo. Nenhuma das equipes, porém, conseguiu tirar proveito da longa e desnecessária prorrogação. Pela ruindade, resultado justíssimo. Uma das piores partidas do campeonato.

Ruim demais.

E tenho dito!