
Era uma vez um árabe, menino aínda, corintiano de Alma e Coração. Tinha um sonho e um desejo: ver o Corinthians jogar no Pacaembu e conseguir um autógrafo de Baltazar, ídolo da Fiel torcida na época. Era o grande “cabecinha de ouro” e artilheiro implacável da Era Vargas.
Quando entrou no estádio Paulo Machado de Carvalho, quase teve um treco. Sofreu um choque. Não sabia se ria ou se chorava. O Pacaembu se transformou em templo sagrado. Realmente uma emoção estética.
Fim de jogo. Vitória corintiana. Euforia no ar. Agora só faltava o autógrafo. Lá estava Baltazar sentado na direção de um Cadillac zerinho, acompanhado de duas belas mulheres.
O pai do acanhado árabe pediu ao jogador o bendito autógrafo, numa folha de papel. Para tristeza de todos, Baltazar nem deu bola e arrancou, cantando pneus.
Passados os anos e garotinho cresceu. Virou um empresário de primeira linha e diretor no Corinthians, vice futebol. Um dia lá estava ele em sua sala quando um senhor bateu pedindo emprego. Quando o agora cartola percebeu que aquele senhor era Baltazar.
O dirigente, então, deu um jeito e prometeu analisar o pedido. E todos foram infelizes para sempre. A vida e a bola punem. Se vocês duvidam, perguntem para Antoine Gebran.
E tenho dito!
