
O fato de o técnico Tite ter “absolvido” Neymar, não punindo o craque diante de mais um caso polêmico, desta vez policial, é um absurdo, uma afronta a qualquer lógica disciplinar. Na decantada Europa, onde prevalece o suprassumo do profissionalismo, o jogador teria sido cortado da Copa América. Quem é maior, então, Tite ou Neymar na seleção brasileira?
Minha finada avó Amélia, a mulher de verdade segundo a eterna música de Mário Lago e Ataulfo Alves, lembrava sempre na minha infância e adolescência: “Meu filho, quanto mais você se abaixa, mais a bunda aparece”. Ou seja, Renê Simões acertou na mosca quando disse que boa parte da imprensa e de alguns dirigentes santistas estavam “criando um monstro”. De fato, o menino de ouro “enquadrou” todo mundo principalmente na Canarinho.
Tite deveria ter aberto o jogo. Poderia ter sido menos político e mais realista. Afinal, a acusação feita a Neymar é grave (estupro), assim como o “troco” do craque à acusadora (crime digital). Os dois são passíveis de severas punições. Esperava ver o ex-técnico corintiano falar firme e forte algo parecido como “não vou puní-lo; apesar de ser um caso policial”, por exemplo.
Treinador afroxou o nó da gravata para o jogador e fez um jogo de palavras. “Ser imprescindível é diferente de ser insubstituível”. Traduzindo Neymar é básico, essencial, fundamental, necessário, porém também é trocável, regular ou comum. Quer dizer, Tite manda até a página 10. Daí para frente entram outros interesses e por isso Neymar viverá todo esse escândalo vestindo a sagrada camisa 10 da seleção brasileira (no passado de Pelé e Zico), como se nada estivesse acontecendo.
E assim caminha a mediocridade…