
Todos estão encantados com o futebol mostrado por Liverpool e Tottenham, que irão disputar a final da Champions League. Afinal, equipes praticam um futebol dinâmico e fazem muitos gols. Deixando de lado o fato de serem times milionários, contratando quem querem para as temporadas européias, existe uma falha desprezada pelos deslumbrados coleguinhas. Os caras fazem muitos gols, verdade. Porém levam na mesma forma que marcam.
Me lembro muito bem dos anos de 1960 até 1990, quando o futebol brasileiro nada devia para o europeu. Pelo contrário, os tentos saiam normalmente e ninguém levava gols bestas. Me lembro do Palmeiras de 1971, a Academia do técnico Osvaldo Brandão (aliás gaúcho) marcava um gol e tocava a bola até o final do pega. Um ano depois foi campeã invicta do Paulistinha, naquela época Paulistão. Apenas o Santos goleava e tomava goleadas, mas era um time fora da curva. Tinha Durval, Coutinho, Pelé e Pepe, monstros da bola mundial para todo sempre. Ninguém jogava na retranca.
Dirão os incautos: eram outros tempos. O futebol mudou. Concordo. A história mostra uma forma de evolução dos europeus para a desenvoltura e objetividade impressionantes. Contudo, nada de novo acontece por lá. Nos últimos 50 anos, a bola nacional foi sugada pelos grandes clubes do Velho Continente. Primeiro saíram jogadores consagrados (Sócrates, Zico, Falcão, Toninho Cerezo e por aí vai). Depois, Muller, Careca, Márcio Santos, Mauro Silva, Romário, os Ronaldos, Rivaldo e tantos outros.
A idade da “saída” foi caindo como balão (as festas juninas se aproximam) e agora garotinhos imberbes deixam suas casas para uma aventura, nem sempre feliz. A imprensa esportiva noticia os que deram certo. Mas quem deu errado (a maioria)? Viramos “exportadores” de mão de obra até na bola nacional, antigamente forte e brilhante. Somos “Colônia” dos caras.
Dá para entender, frente essa ressalva, porque os europeus estão no auge. Podem procurar. Nos times de ponta, sempre tem um brasileiro no meio. O jovem Lucas arrebentou dia desses, pelo Tottenham, com três gols. Ai está um exemplo claro da venda destruidora de um talento. Começou no Corinthians, foi mandado embora, parou no São Paulo e foi negociado com Paris Saint Germain por uma fortuna.
Se quiserem viver de ilusão, bajulando os europeus, problema de cada um. Mas anotem ai: me incluam fora dessa.
E assim caminha a mediocridade…