
Em um programa da Sportv, aconteceu um belo embate entre o hoje comentarista Casagrande (amigo e irmão) com o técnico da seleção brasileira Tite (irmão e amigo). O assunto era Copa da Rússia e o fiasco brasileiro. Lá pelas tantas, o Casão cutucou o treinador. Lembrou que no tempo dele, às vésperas de enfrentar a Espanha (1 a 0, gol de Sócrates), todos jogadores sem exceção ficaram discutindo como fazer para derrotar o “bicho papão” da Europa. Antes de pegar a Bélgica, ao contrário, Neymar e companhia bela rasparam o cabelo e pintaram de verde e amarelo. Faltou seriedade. Tite, com calma, explicou que a atitude era uma maneira dessa geração lidar com a pressão do jogo de uma semifinal.
Pior de tudo: os dois estão absolutamente certos, como diriam Aurélio Campos e J. Silvestre na inesquecível Tevê Tupi no programa “O Céu é o Limite”. A turma do Casão era profissional e patriota. Todos estavam bem, atuando na Europa, mas não gostavam de perder nem em partida de “truco”. Lembro do Sócrates, em entrevista ao finado “Jornal da Tarde”, depois da derrota de 1982, numa manchete garrafal e sincera: “Chega de perder, cansei”, ou algo parecido. Voltou para o Corinthians e sagrou-se campeão paulista (o torneio a ser vencido de então). Era um misto de boa fé, caráter exemplar, vergonha na cara e sentimento nacionalista (no bom sentido). O Doutor e o Casão brigaram demais pelas Diretas Já. E a Fiel torcida veio junto. Gostosa e saudável lembrança. Emocionante também. Futebol e política se misturaram por desejo popular. Coisa rara no Brasil.
Agora, a defesa de Tite é padronizada e exata. O jogador de hoje não tem lá muita “massa encefálica”. São bons para ganhar dinheiro. Disso ninguém duvida. Melhor assessorados. Inquestionável. Faltam cultural, sentimento humano, responsabilidade patriótica. Ou seja, o clube onde atua é maior que a seleção do País. Não é dessa forma para ingleses, franceses, italianos, espanhóis, alemães, belgas, croatas e assim por diante. Lá os caras têm orgulho do País e colocam o coração na ponta da chuteira. Realmente é um problema de geração. Em 1960, 1970, 1980, 1990 e começo do século 21 ainda era assim no Brasil também.
Já a “Era Neymar” decepciona. Nem Jesus Cristo é capaz de retornar à Terra e mudar essa mentalidade acomodada, fria, financeira demais. O amor pela camisa Amarelinha “morreu”. Ganhar uma Copa de novo será difícil se a “Vontade de Vencer” não despertar de novo. Chega de colocar o dinheiro na frente e que “se dane o mundo, não me chamo Raimundo”. “A culpa não é minha”. “Não sou pago para isso” e assim por diante. O compromisso desses jogadores é “não tem compromisso”.
Pobre Tite. Terá de trabalhar mais ainda. Começar do zero. Casão sabe disso.
Haja coração, frase lapidar do eterno Fiori Gigliotti.
E tenho dito!