
Era um homem cordial, elegante e educado. O conheci fumando cachimbo, sorriso no rosto, voz aguda e clara. Na época, era investigador de polícia na delegacia de Vila Sônia. Juvenal Juvêncio tinha um jeito todo especial de ser. Falava o que tinha que falar, fazia o que tinha que fazer, mas sem perder a ternura jamais, como diria um dos ícones da minha geração, Che Guevara. Muito cedo assumiu posições diretivas no São Paulo e, aos poucos, ganhou prestígio e poder no clube.
Na época, teve uma escalada difícil. Ele não era de família rica, nem dono de banco, muito menos vinha da tradição dos Barões do Café. Nada disso. Conquistou tudo na vida com esforço, trabalho, dedicação e inteligência. Chegou a ser deputado estadual nos anos de 1960. Na verdade, suplente. Talvez ai tenha conseguido aquele jogo de cintura de um político clássico. Mas nada de Assembleia Legislativa. Ele encantou-se mesmo com o futebol do Tricolor.
Foi diretor de futebol e daí agigantou-se, virou mito. Carismático, conseguiu envolver todos com palavras certas e firmes. Personalidade marcante, inspirava confiança. Nunca me tratou mal em todos esses anos. Cordial, respondia pacientemente todas perguntas, com ironia é verdade, porém de forma educada, enfática e objetiva.
Vou sentir falta do Juvenal sim. Com ele, morre um pedaço do São Paulo, clube modelo nos últimos 20 anos. Lá se vai um dos últimos grandes dirigentes do futebol brasileiro, no mesmo nível de Vicente Matheus, Wadih Helu, Eduardo José Farah, Nabi Abi Chedidd, Alfredo Metidieri, Constantino Curi, Antônio Nunes Leme Galvão ou Henri Aidar. Esse cartola folclórico é página virada depois dos 7 a 1. Todos eles amarravam cachorro com linguiça, davam nó em pingo dágua, faziam das tripas coração. Mas os momentos de alegria e perspicácia que passei ao lado de Juvenal valeram à pena.
Descanse em paz, Lorde.
E tenho dito!