
O mais importante de tudo: os mais velhos ensinavam, por tradição oral, aos mais novos. Técnicas de fazer instrumentos de caça, pesca, utensílios domésticos, armação de barracas e comportamento de animais eram aprendidos ao redor do fogo, em conversas entre os mais experientes e os mais novos.
Bem, tudo isso não existe mais e ficou nos primórdios da humanidade. Uma pena que a Evolução tenha tomado rumos mais cruéis. A fraternidade e a união, sem falar do amor, predominavam. Hoje, com o capitalismo de mercado, a tradição oral foi deixada de lado. A geração de hoje, antes e até durante os famosos estágios, faz a seguinte pergunta: “Quanto eu vou ganhar?”. Até entendo. Desde muito jovens, essa é a conversa que ouvem na mesa do café, do almoço e do jantar entre os pais e os irmãos mais velhos.
No futebol, isso também acontece. Desde garotos, crianças mesmo de 10 a 14 anos, já têm empresários. Conversando com o meu amigo Serginho Chulapa, hoje nas equipes de base do Santos, lamentamos a situação. Afinal, entre os jogadores experientes e os novatos entra o papel quase sempre nefasto do representante. Nos tempos do Chulapa, não era assim.
Um dia, na Vila Belmiro para entrevistar Edu Marangon, vi agarrado ao alambrado um velhinho, camisa azul, aberta até o umbigo. Cabelos brancos, fumava um cigarro atrás do outro e xingava demais os atletas durante o coletivo. Porém, ninguém reclamava, se atrevia a mandá-lo calar ou retirá-lo dali. Perguntei ao Marangon quem era aquela figurinha carimbada. “É o Pagão, Chico. Aqui ele é Deus”, disse o meia.
Serginho confirmou a “onipotência” de Pagão, um dos companheiros de Pelé na Vila, ainda nos anos de 1950. “Ele me dava muita bronca. O que eu fazia? Fica quieto, baixava a cabeça. O passado dele como jogador impunha respeito”, disse. E olhem que o Chulapa não leva desaforo para casa de jeito nenhum. “Mas ali tinha que me calar. Estava diante da história do futebol. Tinha muito que aprender com ele”, finalizou o maior artilheiro dos anais do São Paulo e um dos principais do Santos.
Como se vê, a minha geração e do Serginho reverenciava os mais experientes. E por uma simples razão: deles vinha o conhecimento de “atalhos” para se caminhar na estrada da bola e da vida.
Que esse texto sirva de lição para brilhante garotada que vem atropelando por fora. O DNA humano não pode ser alterado por uma regra de mercado. O dinheiro é importante, mas não é tudo. A experiência não tem preço e só dá para adquirí-la no decorrer do tempo.
E tenho dito!
Chico Lang, parabéns. O senhor disse tudo.
valeu chico, esta e dura e cruel realidade o capitalismo ultrapassou razão
Uma lição a ser reaprendida!
Chico,
Mais que real, correto o seu comentário, não há nada a acrescentar.
abçs.
Parabéns pelo texto,muito bom mesmo !
pura realidade, e ainda sao fraquinhos no futebol….veja os “craques” de nossos times… nosso futebol acabou..uma pena.
Que história linda….Só o pessoal da velha guarda pra nos trazer esses “causos”…Mais uma vez muito obrigado….
bom. dia sr. chico lang eu estou muito revoltado c/ esta diretória do santos manda p/ o olho da rua o osvaldo uma pessoa maravilhosa. e cadé o resultado da demissao. olha no santos falta é uma reuniao c/ muita bronca pedindo p/ estes cara jogar bola c/ raça porque caicai. já era futebol é p/ homem. abraço