Futebol brasileiro chegará à rebelião, dificilmente à revolução total

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Depois do vexame diante da Alemanha (7 a 1) muita gente questiona se não está na hora de revolucionar o futebol brasileiro. Mudar tudo. Jogar uma bomba em cima e começar do zero. A idéia, o conceito, exige uma explicação mais detalhada. A palavra “revolução” significa “reviravolta, virar uma situação de pernas para o ar”. Sinceramente, quem no Brasil tem coragem para mexer com o caudilhos da bola? Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, até tentou. E nada conseguiu. Tirou o time de campo para não levar uma lavada humilhante na última eleição da CBF.

A estrutura da entidade máxima da bola nacional são profundas e sólidas. Permitem a corrupção, a exploração de jogadores por empresários e tratam o ser humano como mercadoria. Todos possuem um valor de uso, de troca, prazo de validade. Criaram um mercado com leis, normas e outras ferramentas convenientes para a “máquina de fazer dinheiro” continuar funcionando, custe o que custar.

Em nosso País, pior que misturar bola com política, é a própria política da bola. Clubes têm um jeito padronizado de se relacionarem com torcedores, empresários e jogadores. Os políticos de carreira dão uma bicada aqui e ali. E só. Dirigentes sim tiram grandes proveitos, com uma espécie de “micro poder” dentro de um “macro poder” (para lembrar de Michel Foucault). Um pode ser a cópia do outro, mas são diferentes. Têm outros objetivos. Seria uma “máquina menor” dentro de uma “máquina maior”.

Por isso que, no máximo, poderemos assistir nos próximos anos uma rebelião. Ou seja, alguns pontos de indignação, de revolta, poderão ser reivindicados e atendidos. Mudança de horários de jogos de TV ou alterações no calendário de jogos, por exemplo. A criação de departamento de Psicológia pode ser outra alternativa. Na infraestrutura, porém, ninguém bota a mão. Ou seja, as relações clubes, empresários, jogadores, CBF, Fifa serão mantidas em termos globalizados. Fazem parte de um sistema maior, o “Livre Mercado” planetário, ou como diria o finado Plínio Salgado, “o capitalismo selvagem”.

Uma rebelião, meus amigos, já seria muito bem vinda. Torço por ela. Mas já desisti de uma revolução.

E tenho dito!

12 comentários

  1. Querido Chico Lang,
    Suas palavras fazem sentido: Oxalá pudéssemos transportar o mesmo raciocínio para a vida pública – rebeliões não tem sido muito bem-vindas ultimamente por ser coisa de “baderneiro”, não é verdade?
    Companheiros de Foucault falam em revoluções moleculares. Afectos modificados, transformados, potencializados. Micropolíticas. Nesse sentido, o desprezo pelos selecionáveis seria um caminho (bato na tecla que dá para torcer no máximo pela zê-éle e pelo coringão, jamais para um país); as intervenções quase surrealistas do Bom-Senso F.C. também cabem (aquela de gastarem um minuto da poderosa Globo sentando a bunda no chã foi sensacional!). Vocês da mídia também poderiam colocar um pouco mais de “sal” na brincadeira, não é verdade? Veja, não se trata de retórica, perguntas incisivas: é necessário outro regime de signos.

    É preciso mudar o calendário para mudar o futebol?
    É preciso mudar o futebol para mudar o “Brasil”?
    Ou mudar a concepção de democracia participativa para mudar o futebol?

    Deleuze estuda os diagramas de poder do Foucault a partir da negação de 6 postulados básicos:
    Postulado da Propriedade – concepção de que o poder pertence a alguém: o poder não pertence a ninguém
    Postulado da Localização – concepção de que o poder teria uma localização específica: o poder não vem do Estado, ele produz o Estado; o poder não é localizável, ele é onipresente
    Postulado da Subordinação – concepção de que o poder possuiria uma determinação econômica (marxismo) : as relações de poder são imanentes e não exteriores; o poder se caracteriza pela sua capacidade de atualização
    Postulado da essência ou atributo – concepção de que o poder seria dotado de uma essência, como dominantes e dominados: o poder é operatório e atravessa tanto as forças dominantes como dominadas
    Postulado de modalidade – concepção de que o poder seria exercido por intermedio da violência, da repressão, da ideologia, da propaganda: mas do que reprimir, o poder produz realidades. A violência não é poder, é efeito do poder.
    Postulado da legalidade – o poder do Estado seria expresso pela Lei: a lei é composição de ilegalismos, que ela diferencia ao formalizar

    1. Caro Frei,
      Veja como é complexa essa discussão. Eu fui até a derme. Você desceu fundo o bisturi. Desceu às entranhas das relações de poder entre as instituições na sociedade globalizada. Obrigado pelo aparte. Daqui para frente, terei o cuidado de observar todos os postulados de Deleuze que, embora polêmico, seja uma leitura obrigatória para quem deseja entender o mundo em que vivemos.
      Abraços

  2. Chico Lang: O Senhor, Celso Cardoso, Silvestre até segunda feira achavam que estava tudo bem. Achavam que o Felipão convocou certo, guardada uma ou duas exceções, achavam que o time não vinha bem, mas estava aos trancos e barrancos conseguindo seus objetivos. Em suma, por que, após o desastre do Mineirão nada mais presta: Parreira não presta, Felipão não presta, Fred não presta, Bernard é inexperiente. Assisto a Gazeta há anos, tanto na semana, como no domingo, mas fico estupefato com engenheiros de obras prontas e como as pessoas mudam suas opiniões sem pensar que o que errou é nosso irmão e já nos deu uma Copa do Mundo.
    Obrigado,

    João Bosco de Barretos-SP.

  3. Caro Chico Lang, acompanho você a muito tempo, apesar de ter 40 anos. Morei muito tempo no Japão, cheguei lá no auge da J-League vi Zico jogando pelo Antlers, Alcindo, Edilson, Antonio Carlos, Cesar Sampaio e uma pessoa que fora alguns jornalistas esportivos, creio eu que se não morou no Japão então não o conhece, Rui Ramos brasileiro naturalizado japonês, que revolucionou o futebol japonês, com muitas ideias de mudar toda estrutura do futebol amador que lá não era o esporte preferido pelo povo. Se algumas pessoas aqui fizessem como ele, com certeza mudaria muita coisa, sendo que ele continuou jogando como sempre fez, sem almejar uma cargo qualquer na cúpula da Liga Japonesa, segue ai uma dica, nem que for para pedirem que ele venha ao Brasil dar uma palestra aos que acham que sabem de tudo sobre futebol…….

  4. cabra bom! Tirou as palavras da minha boca. Quando um edifício está para ruir é melhor demolir e erguer outro do que tentar garibá-lo e soterrar a todos!

  5. Chico,

    Perfeito e com fundamento o seu comentário e vejo o comentário do Frei como algo difícil de se ver nestes escritos da internet.
    Fundamentalmente na minha opinião, tínhamos que fazer algo de mudança de poder do futebol, a FIFA se julga acima das leis e dos direitos dos cidadãos, vejam o que fez com a Nigéria, o governo interviu e ele interviu na seleção de futebol.
    A nossa continuidade de poder em todas as federações e confederações se tornam o nosso maior cancro, vejam agora o caso da confederação brasileira de vôlei, da de futsal, que sofreram intervenções. Por que não partir da câmara, do congresso um projeto de lei onde defina-se o que pode e o que não pode ficar na mão dos pseudos presidentes destas entidades, que delas fazem um trampolim para a vida pessoal ou para a política, que é a sequência da falta de vergonha e caráter destes comandantes.
    Dentro de campo também nosso futebol perdeu a alegria, o poder de ser o melhor do mundo, por culpa destes empresários sem escrúpulos que já levam para a Europa os meninos na barriga da mãe. Mas com as bênçãos da CBF.
    Limpar estes técnicos que não se atualizam, poxa o campeonato alemão passa o ano inteiro para a gente e eles se surpreendem com a seleção alemã. Eu não me surpreendi, nem com ela, nem com a holandesa, a inglesa, a italiana, a costa riquenha, pois elas estavam em nossos canais televisivos todos os finais ou meios de semana.
    Acabar com a soberba de todos: jornalistas (alguns), jogadores (alguns), torcedores (alguns) e colocarmos os pés no chão.
    Por fim olhar bem para o caráter deste comandantes: Marin, rouba medalha, esteve a serviço da ditadura; Del Nero afundou o futebol paulista e ficou rico; o Parreira que de alto e bom tom disse que a CBF é o melhor que há no Brasil; o Murtosa que se deixou para completar o trio dos três patetas e o Felipão, que para comprovar como lida com o ser humano tirou o Fred faltando dez minutos para o jogo acabar só para que o mesmo fosse vaiado sozinho por todo o estádio. E ainda no final do jogo bate no peito, como conclamando que a culpa era dele, e foi mesmo.

    1. Sr. Alvaro,
      grato pela menção elogiosa.
      Dentre todos os pontos questionáveis dos nuestros hermanos no que diz respeito a AFA e o governo Kischner, há uma implantação de intervenção estatal interessante: os direitos de transmissão do futebol são públicos, e qualquer televisão pode transmitir os jogos, que são colocados em horarios dignos.
      Uma alteração como esta aqui seria utópica – imagine o quanto. Mas o raciocínio vale: os clubes teriam que se virar com outras fontes de receita, as opiniões e posições sobre o futwbol, bem como seu uso para agregar a patriotada-patacada, seriam plurais.
      De quebra poderíamos ver jogos na Gazeta, por exemplo.
      Vale o exercício.
      A laranja podre é só a CBF? Ou a Globo e seus conglomerado mundial de anunciantes?

  6. Caro Chico Lang, acompanho você no Mesa Redonda, já faz um tempo, ouço seus comentários, discordo de alguns e concordo com outros, como é natural do ser humano. Como todo brasileiro, também tenho minha solução para o futebol brasileiro. Primeiro, os clubes estão falidos e a estrutura dos clubes para formação de atletas também. Os clubes deveriam acabar com a base e deixar os empresários fazerem os atletas e só contratarem aos 18 anos, assim poderia melhorar um pouco. A lei Pelé é uma lástima para o futebol brasileiro, deixando os clubes sempre na mão. Falam muito do futebol da alemanha, uma maravilha, pois é, nesta copa o futebol maravilhoso da Alemanha, empatou com Gana e quase perdeu para EUA e Argelia, passando por ambos no bico do Corvo na Bacia das Almas. Tiveram sorte, em está semi-final. A Seleção brasileira não jogou nada, mas mesmo assim poderia ser campeã. O Felipão armou mal o time, se tivesse sido um pouquinho conservador e não tivesse insistido com o FRED (Que é até bom jogador, mas nesta copa foi muito mal) poderia ser diferente. Espero mais sorte na próxima competição. Falta em nossos treinadores, alternativas táticas, são todos bons motivadores e nada mais.

  7. Caro Chico Lang.
    É visível que o mundo do futebol mudou. Mudou do nosso sempre e único modo individualista de jogar, onde sempre dependeu da qualidade de um ou outro jogador, que carregava o restante da equipe nas costas. E olha que isso acontece a muito tempo…se recordarmos as disputas de 70, via-se uma defesa que tomava gols, porém tínhamos um ataque que fazia mais do que levávamos. Em fim, o mundo aprendeu a jogar bola como equipe, o que o Brasil com seus técnicos e jogadores são todos incapazes de assimilar essa nova metodologia desse esporte e acham que a qualidade de um só pode resolver tudo.
    Além disso, o futebol brasileiro deveria ser valorizado pela qualidade e capacidade de cada um, comissão e jogadores de serem inteligentes e capazes de serem uma equipe, Não digo isso a respeito de fazerem sambinha, usarem roupinhas com o mesmo enfeite, pois tudo isso já não tem mais valor como produtividade, o que alguns times tem como único objetivo em uma competição.
    Bom, o brasileiro não tem que chorar, porque os jogadores e comissão técnica não estão fazendo isso, afinal terão R$ 44 MI , além de bônus da CBF para dividirem e fazerem suas farinhas.
    Ah! sem problemas…amanhã o povo esquece tudo. Até a contribuição que deram para essa caixinha…
    Visão de um brasileiro…
    Abraço.

  8. Chico concordo com tudo que vc falou, nosso futebol está uma droga, haja visto o resultado na copa, mais veja só, porque temos que torcer para um time que pertence a uma entidade privada que é a CBF, portanto trata-se de uma empresa, ao invés de torcemos para o time da nossa pátria, por isso eu acho que a seleção brasileira deveria ser dirigida pelo ministério dos esportes, ela que deveria convocar uma comissão técnica e os jogadores, pois ao meu ver a CBF é um ninho de pilantras que aproveitam do nome do Brasil, para ganhar muitos milhões, isso é uma vergonha, e além do mais, os presidentes dos clubes, são coniventes com isso, pois são todos farinha do mesmo saco.

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