Mais que um acidente: agora é rivalidade extrema entre Hamilton X Verstappen

British Grand Prix, Saturday (Foto: Jiri Krenek)

O assunto da coluna de hoje não poderia ser outro: o acidente entre Lewis Hamilton e Max Verstappen no GP da Inglaterra disputado ontem, em Silverstone.

A prova por si só já seria histórica pelo novo formato de classificação, com o grid sendo definido com uma “sprint race”. Hamilton surpreendeu conquistando “a pole” deste “mini-GP”, mas Verstappen deu o troco e conquistou a pole de fato – e mais 3 pontos para o campeonato.

E esta disputa tão acirrada já deu o tom logo nas primeiras curvas no domingo. Hamilton sabia que sua única chance era tomar a ponta da corrida logo no início, segurando o ritmo de Verstappen.

E por isso partiu para o ataque como há muito tempo não se via. Como o amigo Sergio Maurício bem resumiu na transmissão da Band, Hamilton parecia estar possuído.

E Verstappen não se intimidou. Seguiu fazendo suas conhecidas manobras de defesa que por vezes inclui perigosos zigues zagues na reta ou mudando de trajetória em plena freada.

Veio a reta que antecede a curva Copse e… Bom, na minha visão, nenhum dos dois queria aliviar. Há ali um jogo psicológico. Verstappen joga duro e nunca alivia com ninguém. Só que desta vez Hamilton também não estava disposto a tirar o pé do acelerador. Afinal, se nos últimos anos ele sempre teve o melhor carro e foi o franco favorito, agora ele é o “azarão”.

Ou seja, um toque entre os dois tende a ser mais prejudicial a Verstappen, que teria mais condições de buscar a ultrapassagem depois, por exemplo. Ah, então você acha que foi culpa do holandês? Não, acho que a culpa foi DOS DOIS, mas Verstappen tinha mais a perder…

Até discordo da punição da FIA – mas aí é o estilo dos comissários que a gente conhece já há algum tempo. Em nome da segurança, buscam limitar ao máximo as brigas dos pilotos. Claro que segurança é importante e a gente viu o quão forte foi o acidente de Verstappen (uma batida de 51G), mas eu julgaria como “incidente de corrida” pois é assim quando os dois poderiam ter evitado o toque.

Mas entendo quem tenha achado 10 segundos pouco para Hamilton. Afinal, quem torce para Max viu seu piloto favorito fora e ainda viu Hamilton vencer a corrida mesmo com a punição – na hora até lembrei de Ayrton Senna em 1993 em Interlagos (com a diferença que a McLaren do brasileiro era bem mais inferior as Williams de Alain Prost e Damon Hill).

2021 British Grand Prix, Sunday – Jiri Krenek

Hamilton celebrou como seu herói, erguendo a bandeira da Inglaterra (igualmente decepcionada no futebol com a derrota na Eurocopa e num momento difícil do país após um ano de pandemia) e se lembrou dele na entrevista quando disse que “viu o espaço e correu por ele”. A entrevista famosa de Senna de “if you no long go for a gap, you are no long a racing driver”…

Verstappen está furioso. No ponto de vista dele, jamais imaginaria que Hamilton agiria assim. Deve ter visto que os dois são feitos do mesmo material. E vai jogar ainda mais duro na próxima corrida.

E quem ganha com isso? Nós, fãs de automobilismo. Que a FIA não tende enquadrar uma rivalidade como esta que só surge de tempos em tempos na F1.

Rodrigo França

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