
Principal prova de longa duração do esporte a motor mundial terá a participação de sete brasileiros espalhados nas quatro categorias do WEC
Le Mans, Indy-500 ou Mônaco? Eu já tive a honra de como jornalista cobrir estas três corridas e não arrisco dizer qual é mais especial – até porque cada uma delas tem características distintas. Mas não há dúvidas em dizer que as 24 Horas de Le Mans possuem o verdadeiro DNA da origem do automobilismo, quando as provas de endurance (resistência, em francês) realmente serviram de desenvolvimento da indústria automobilística e permitiram o esporte a motor ser um sucesso global como hoje.
E é justamente por ter este DNA do começo do automobilismo que ir a Le Mans é como viajar no tempo – parece ser o último resquício do esporte em seus primórdios. Tive a oportunidade de cobrir sete vezes a corrida desde 2009 – e confesso que praticamente em todas você nem dorme de sábado para domingo tamanha a quantidade de coisas para fazer e ver durante a prova.
Le Mans não tem o mesmo apelo aqui no Brasil de F1 e Indy talvez pelo jejum de vitórias brasileiras na categoria geral. Neste ano, serão sete os brasileiros na prova, mas talvez apenas Bruno Senna integre um time que tenha chance de vencer a prova principal – ainda assim, teriam que contar com um abandono duplo dos favoritos da Toyota, com seus protótipos híbridos.
O grid da prova terá 59 carros da disputa em 2020 e a pole position ficou justamente com o Toyota #7, após Kamui Kobayashi cravar a melhor marca do classificatório com o tempo de 3min15s267. A prova deste ano, que foi adiada de junho para setembro por conta da pandemia, pode trazer muitas surpresas.
Criada em 1923, Le Mans também faz parte da temporada do WEC (Mundial de Endurance). Em 2020, ela será a penúltima etapa da temporada 2019-2020, restando ainda as 8 Horas do Bahrein no dia 14 de novembro.
A distância percorrida entre os carros varia a cada ano, mas em média são 5.400 km pelas principais equipes que completam a prova – uma viagem de carro para São Paulo a Recife (ida e volta em um único dia).
A maior vencedora da prova é a Porsche, com 19 triunfos na geral. Entre os pilotos, o Mister Le Mans é Tom Kristensen. O dinamarquês venceu a corrida 9 vezes. O Brasil nunca venceu na categoria geral – teve como melhor resultado o segundo lugar (obtido por três pilotos em provas distintas: Raul Boesel, José Carlos Pace e Lucas di Grassi).
Os brasileiros estarão em todas as classes do grid: Bruno Senna na LMP1, André Negrão na LMP2, Daniel Serra na LMGTE Pro e Felipe Fraga, Augusto Farfus, Oswaldo Negri Jr. e Marcos Gomes na LMGTE Am. Dentre eles, apenas Marcos Gomes, campeão da Stock Car em 2015, será estreante – o pai dele, Paulo Gomes, também já conseguiu um pódio em Le Mans, em 1978.
Veja os carros dos brasileiros em 2020:
Bruno Senna – Rebellion R13 Gibson #1 da LMP1
André Negrão – Alpine A470 Gibson #36 da LMP2
Daniel Serra – Ferrari 488 GTE #51 na LMGTE PRO
Felipe Fraga – Porsche 911 RSR #57 na LMGTE-AM
Augusto Farfus – Aston Martin Vantage #98 na LMGTE AM
Marcos Gomes – Ferrari 488 GTE #72 na LMGTE AM
Oswaldo Negri Jr. – Ferrari 488 GTE #61 na LMGTE AM
