Entrada da Toyota na Stock Car marca nova era para automobilismo brasileiro

Presença da marca na principal categoria do automobilismo nacional abre espaço para ações que possam popularizar o esporte a motor no Brasil, seguindo o exemplo da Argentina

Thiago Camilo na chuva em Interlagos – Foto: Carsten Horst/Hyset

Ninguém discute que a paixão número 1 do Brasil é o futebol, mas sobre a vice-liderança cada esporte puxa sardinha para o seu lado – neste blog, claro, consideramos o automobilismo ocupando este posto, mas obviamente por conta da imensa popularidade de grandes campeões da F1 como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna nos últimos 50 anos – e com pilotos vencendo corridas na F1 com a Ferrari de 2000 em diante, como Felipe Massa e Rubens Barrichello.

Mas sem um representante na categoria máxima do automobilismo nas duas últimas temporadas, o que fazer para manter o esporte a motor popular no Brasil? A resposta pode estar justamente no “mercado interno”: popularizando as competições nacionais, sobretudo a Stock Car, que pode ser considerada uma especie de “F1 sul-americana”, com altíssimo nível técnico de pilotos e que a partir de 2020 tem disputa de duas marcas: Chevrolet e Toyota, que entrou neste ano com o intuito de deixar a Stock ainda mais popular.

Participei ontem de um interessante bate-papo com os pilotos Thiago Camilo (equipe Ipiranga), Ricardo Zonta (equipe Shell) e o argentino Matias Rossi (equipe Full Time) junto com dirigentes da Toyota, incluindo os presidentes da Toyota no Brasil (Rafael Chang) e na Argentina (Daniel Herrero) e Henry Soares e Rafael Borges, da equipe de marketing e comunicação da empresa.

Ficou claro que o objetivo é promover ações que deixam o torcedor mais próximo da categoria, como ocorre na Argentina, com a divisão de esportes, a Toyota Gazoo Racing – que, aqui no Brasil, também tem outros dois pilotos com passagem na F1 além de Zonta: Rubens Barrichello (equipe Mobil) e Nelsinho Piquet (equipe Texaco).

“É ótimo ter a Toyota na Stock Car, como muita gente sabe, estivemos inclusive juntos na F1 e a chegada deles na principal categoria do automobilismo brasileira abre portas para que o futuro do esporte no Brasil tenha perspectivas cada vez melhores”, explica Zonta.

Um detalhe interessante é que o regulamento dos carros deixou o Stock Car mais próximo dos modelos de rua, como explica Camilo. “Eu gostei bastante do novo carro, ficou mais prazeroso de guiar e quanto mais desafio tem para o piloto, melhor. Na pista a gente não quer conforto, que se sentir desafiado e isso o Stock Car traz em grande dose pro piloto. E para o fã ver que o nosso carro, que tem a base do seu carro de rua, como o Toyota Corolla, está ali em uma prova tão emocionante, com pilotos andando próximos e disputando posição em milésimos de segundo, é muito bacana”, diz Camilo.

Já estive em diversas coberturas de corrida na Argentina, como a própria Stock Car em Buenos Aires e até mesmo a Truck na capital argentina e na cidade de Córdoba, e realmente o interesse do público pelas corridas é algo incrível.

Não por acaso, os “hermanos” tem em suas categorias nacionais um caminho de profissionalização incrível – os pilotos profissionais correm praticamente todo final de semana em provas de diversas categorias. E agora o intercâmbio de pilotos competindo aqui pode ser um caminho para que a famosa rivalidade do futebol invada as pistas. “É uma honra correr na Stock Car ao lado de tantos pilotos de experiência internacional, inclusive F1, mas também com grandes conquistas aqui na América”, diz Rossi.

Temos muito que aprender com o automobilismo da Argentina para conseguir uma profissionalização cada vez maior de nosso esporte no Brasil. A Toyota chegou conquistando vitória com Ricardo Zonta em Goiânia e já garantiu também hoje em Interlagos a primeira vitória de Piquet na categoria.

Mas ainda mais importante que bons resultados na pista é chegar mostrando que a receita pode ser o envolvimento de uma marca de forma completa, incluindo seus clientes, fornecedores e com ações inclusive em suas concessionárias, aproveitando a paixão por carros que, esta sim, pode rivalizar com o futebol.

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