
O ano de 2020 mal começou, os primeiros testes de pré-temporada só começam daqui um mês em Barcelona, mas já pode ir se acostumando: neste ano, as grandes notícias já estão focando para a temporada de 2021.
Os anúncios recentes das renovações de Max Verstappen como piloto Red Bull e de Charles Leclerc na Ferrari são um indício claro de como as equipes já estão focadas em se estruturar para a nova fase da F1 que deve ter início no ano que vem.
Primeiro, é importante esclarecer um detalhe: muitos contratos de pilotos e grandes equipes não existiam pós 2021 porque o famoso Pacto de Concórdia, que rege a categoria, terminava justamente ao final deste ano.
Com o novo acordo das equipes (a tal “Concórdia” que na verdade faz referência a Place de la Concorde, onde fica a sede da FIA em Paris), agora é possível planejar a categoria para longo prazo. Como se sabe, isso também passou por muitas negociações em torno de regulamento técnico, que deve promover uma das maiores revoluções em termos de novidades na F1 nos últimos anos, com redução drástica de custos, teto orçamentário, carros mais simples e com aerodinâmica que favoreça disputas e ultrapassagens.
Como em um bom jogo de xadrez, a Red Bull e a Ferrari anteciparam suas jogadas e deram o “cheque” na Mercedes. A jogada óbvia para a equipe alemã, claro, é ampliar o contrato de sua grande estrela, Lewis Hamilton. O hexacampeão mundial pode em 2020 igualar o recorde de Michael Schumacher de sete títulos e ainda superar o incrível recorde de vitórias (91). Mas o que ele pretende fazer a partir de 2021?
Será que seu lado “ativista” dará algum direcionamento a sua carreira já com todos os recordes batidos? Esta parte de sua vida é cada vez mais relevante, como ele falou para este repórter na entrevista exclusiva que fiz durante o GP Brasil de 2019, falando sobre veganismo, sua parceria com a Tommy Hilfiger para fazer roupas sustentáveis etc.
A F1 inclusive anunciou que pretende se tornar “neutra de carbono” até 2029 – uma tentativa de segurar sua maior estrela? Será que Hamilton abandonaria o esporte para divulgar outras causas? Ou ainda, sairia da Mercedes em busca de novos desafios – a imprensa italiana já fez até montagens dele com o macacão da Ferrari.
E aí entra outro interessante personagem: Sebastian Vettel. O tetracampeão mundial já percebeu que Leclerc “chegou chegando” e já se tornou o queridinho do time com apenas um ano completo de Ferrari. Cabe ao alemão mostrar na pista que ainda merece o status de principal piloto na equipe ou já pensar em um novo caminho para 2021 – aposentadoria? Mercedes?
E ainda tem Fernando Alonso dizendo que tem ainda muita disposição para estar na F1… É, se em 2020 o cenário está muito parecido com o ano anterior na F1, a grande revolução de 2021 na categoria será o norte das principais discussões da categoria neste ano.
