
Flamengo X Avaí; América MG X Atlético GO; Red Bull X Fluminense – Lances controvertidos e decisões errados.
É desejo natural de todos que realizam uma tarefa conclui-la com eficiência, com assertividade, ou seja, fazer seu fechamento com chave de ouro.
No futebol este anseio também existe, especialmente no setor da arbitragem, pois a controvérsia lhe é própria.
Desse modo, após tantas decisões controvertidas durante toda a competição, acertadas em grande parte, erradas em muitos casos, era de se esperar e para o que torcíamos que a última rodada de nosso principal campeonato fosse de pleno êxito.
Assim não se deu, todavia. E isto menos pelo erro claro no jogo entre Bragantino e Fluminense e dos lances controvertidos em outras partidas, como adiante será demonstrado, mas, em especial, pela forma como a Comissão de Arbitragem da CBF tratou os torcedores ao apagar das luzes.
Com efeito, a indicada Comissão, como que passando a mensagem de que, se tudo estava consumado, nada precisaria ser explicado, não se dignou, sequer, a publicar os áudios e vídeos dos lances controvertidos, inclusive dos que foram revisados.
Ao julgar-se no arbítrio de não publicar os áudios e vídeos, além de não dar ao torcedor o direito de analisar os lances, a Comissão persistiu na indevida omissão de não se posicionar sobre se houve erro ou acerto, imitando Pilatos, portanto, e, assim, descumpriu, mais uma vez, seu dever institucional de agir com ética e transparência, que não são opções para uma entidade que deve respeitar-se e respeitar a comunidade para a qual presta serviço.
Diante da situação consumada de desrespeito ao torcedor na presente temporada, só nos resta alimentar a esperança de que
no próximo ano o lamentável desvio de conduta seja afastado e que que a Comissão de Arbitragem da CBF passe a agir com ética e transparência, desincumbindo-se, desse modo e minimamente, de suas atribuições.
Que, afinal, o mantra da Conmebol “o certo em lugar do conveniente” seja seguido pela atual administração da arbitragem da CBF.
Agindo assim, o mundo da arbitragem terá um rumo bem definido, com informação dos critérios de interpretação; dos limites de atuação do VAR; com ética; transparência etc. etc., que trarão mais segurança para os árbitros e possibilitarão melhoria da qualidade do trabalho.
Diante de tudo e porque, além das omissões costumeiras, não houve publicação sequer dos lances revisados na última rodada, a conclusão inevitável é a de que a temporada não foi fechada com chave de ouro.
Passando aos lances controvertidos da rodada e considerando, como dito, que não houve publicação dos áudios e vídeos, que nos dariam base segura para analisar todas as situações, opinamos: a) que o gol do Flamengo contra o Avaí, anulado por impedimento é inconclusivo, pois não se sabe se a suposta irregularidade ocorreu no primeiro ou no segundo momento, bem como se as linhas foram projetadas corretamente; b) no gol do América0MG contra o Atlético de Goiás não há imagem conclusiva de que a bola teria tocado no braço do jogador do América, de modo que não se pode dizer se houve erro ou acerto da arbitragem, embora a tendência seja de erro, ao menos de procedimento, pois o VAR só pode contrariar a decisão de campo se tiver imagem clara. Note-se que a bola não tem seu curso desviado quando aparentemente teria tocado no braço do atacante. Logo, somente por meio de câmera que mostrasse lateralmente (ver entre) a bola e o braço do
jogador do América seria possível ter segurança do toque; e c) que a desmarcação do tiro penal a favor do Bragantino contra o Fluminense, por impedimento em razão de interferência no adversário, foi claramente errada, uma vez que o jogador do Fluminense que teria sofrido a interferência não tinha qualquer possibilidade física ou tática de disputar a bola com o atacante do Bragantino, o que era indispensável para caracterizar a infração, sobretudo considerando o protocolo VAR, que se refere à posse de bola nas faltas na fase de ataque (APP). Afora isto e à falta de prova de posição de impedimento do atacante, questões de outra ordem, a exemplo do local do reinício do jogo, se somaram para agravar o erro da arbitragem, que se materializou pela dissociação do árbitro e do VAR com a regra do jogo e sua essência: “impedir o adversário de jogar ou poder jogar”.
Ao leitor, a palavra final.
Manoel Serapião filho
