Daniel e o signo do 4

Foto: Pedro Martins/MoWA Press
Foto: Pedro Martins/MoWA Press

Daniel Alves, que vai se transformando num lateral-direito histórico na Seleção Brasileira – na linha direta de Zezé Procópio, Djalma Santos, De Sordi, Zé Maria, Leandro e Cafu -, homenageou o já saudoso Carlos Alberto, o maior de todos, com a camisa número 4 da Seleção.

Mas, por que esse número 4?

Porque foi aquele usado nas costas da camisa de Carlos Alberto Torres na conquista da Copa de 70.

Nem Daniel Alves, nem nossos jovens comentaristas que se debruçaram sobre a homenagem sabem é como esse número caiu nas costas de Carlos Alberto.

Permitam-me esclarecer.

A numeração nas camisas dos jogadores brasileiras foi instaurada a partir de 1948, quando, com vistas à Copa de 50, a Fifa determinou que isso passaria então a ser obrigatório. Até aquele ano, a numeração era facultativa, utilizada por alguns clubes europeus, mas inexistente nos nossos campos.

Nessa época, prevalecia no futebol brasileiro o sistema Diagonal, uma variação do WM, imposta por Flávio Costa, técnico do Vasco e da Seleção Brasileira. Esse sistema podia ser adotado da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita.

Explicando melhor: a Diagonal se caracterizava pela formação das linhas de meio de campo não no quadrado previsto pelo WM, mas numa disposição diagonal. Isto é: um médio mais ofensivo (que, com o tempo, se transformaria no médio-volante, ou volante atual), outro mais recuado (que acabaria se configurando, mais adiante, no quarto zagueiro); um meia mais ofensivo (o futuro ponta-de-lança), outro recuado (o meia-armador).

Pois, bem. Esse sistema podia tanto ser armado pela esquerda quanto pela direita.

Se fosse pela direita, o número 4 estaria impresso nas costas da camisa do médio-volante. Se fosse pela esquerda, o número 6 seria o médio-volante e o 4, o lateral-direito.

Pra ficar mais claro. Se o sistema fosse pela direita, o lateral-direito seria o número 2, o zagueiro central, 3, o médio volante, 4, o centromédio mais recuado, 5, e o lateral-esquerdo, 6.

Na adoção do sistema pela esquerda, o central seria o 2, o lateral-esquerdo 3, o lateral-direito 4, o centromédio 5 e o médio volante, 6.

Pois o Santos dos anos 50 adotara a Diagonal pela esquerda, em que o lateral-direito era número 4, tão bem defendido por Ramiro, de quem Carlos Alberto herdou a camisa quando desembarcou na Vila.

Na Seleção, na Copa de 54, o técnico Zezé Moreira havia adotado a Diagonal pela esquerda. Assim, Djalma Santos jogou com a camisa 4, que acabou nas costas de Carlos Alberto em 70.

Eis o porquê da homenagem prestada hoje por Daniel Alves. Assim como a imensa confusão que a turma faz em torno da Camisa 10, ora confundida com as funções de Pelé ou Zico, ora, de Ademir da Guia ou Gérson, meias de funções exatamente opostas.

Mas, essa é outra história.

 

 

2 comentários

  1. Caro Alberto:

    Como santista, sempre tive curiosidade em saber por que o lateral direito do Santos usa a camisa 4 e o lateral esquerdo, a 3.
    Na minha cabeça, se o lateral direito é 4, o esquerdo deveria ser 6, ficando a 2 e 3 para central e quarto-zagueiro e a 5 para o volante recuado.
    Muito grato pela explicação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *