
Aos que me chamam de velho, respondo que nem tão velho quanto eu mesmo gostaria de ser. Se pudesse escolher, queria ter nascido no raiar do século passado, só pra ver na plenitude aquele Paulistano mítico de Fried e cia. E, na sequência, a Seleção Maravilha da Áustria, o Brasil de Romeu, Tim e Leônidas, o River de Moreno, Pedernera e Di Stefano, a Máquina de Costura do São Paulo de 46, campeão invicto, pois os seguintes todos desfilaram aos meus olhos, seja ao vivo, seja pelo cinema e tv, sem falar nas tantas leituras de jornais a respeito de cada um.
Refiro-me, claro, ao Honved e a Seleção Húngara de Puskas, ao Expresso da Vitória do Vasco de Ademir, Jair e cia., ao Real de Kopa, Di Stefano, às três Academias Verdes, ao Carrossel Holandês de Crujyff, que vi em ação lá, no campo, sem falar no inigualável Santos de antes e durante Pelé e a Seleção Brasileira do Tri, que beiraram a perfeição por um triz.
E, se o amigo me permite, agradeço ao destino ter me mantido de olhos abertos pra ver esse Barcelona de Messi, Suárez e Neymar.
Vá jogar bola assim no Olimpo!
Nesta quarta, por uma vaga na fase seguinte da Liga dos Campeões, bateu o Arsenal por 3 a 1, em jogo emocionante e belo, com gols de Neymar, Suárez, num voleio espetacular, e Messi, numa cavadinha malandra.
E olhe que o Arsenal, o time inglês cujo estilo mais se aproxima daquele praticado pelo Barça, meteu os peitos e endureceu como poucos a vitória do Barça por 3 a 1.
Messi é, de hábito, inacreditável, mas hoje não estava tão inspirado, assim como Suárez. Coube, então, a Neymar dar o espetáculo, com seus passes, seus lançamentos, seu gol, seus dribles e as invenções de praxe.
Na outra perna da disputa, o Bayern, inexplicavelmente, submeteu-se à Juve ao longo de todo o primeiro tempo, uma Vecchia Signora moderninha, mais ofensiva, marcando no campo adversário e buscando o toque de bola como alternativa para o velho contragolpe do tradicional catenaccio italiano.
Os bávaros tomaram 2 a 0 logo de cara, em duas lambanças de sua defesa na saída de bola, e só foram se recuperar no segundo tempo, com os cabeceios fatais de Lewandowski e Muller, claro. Na prorrogação, os dois que Guardiola resolveu colocar em campo decidiram a questão: Thiago Alcântara e Coman.
Não podia dar outra, a não ser que os deuses da bola estivessem de sacanagem.
