Série Promotores, o lado de lá – Entrevista com o Presidente do MMA Super Heroes, André Barbosa

André Barbosa é Presidente do MMA Super Heroes, evento paulista de MMA - Arquivo Pessoal
André Barbosa é Presidente do MMA Super Heroes, evento paulista de MMA – Arquivo Pessoal

 

A série com os promotores dos eventos nacionais está de volta.

Desta vez o convidado é o Presidente do evento paulista MMA Super Heroes, André “Bicudo” Barbosa que respondeu perguntas formuladas pelo blog.

O MMA Super Heroes é um dos eventos que mais se destacaram no cenário nacional neste ano de 2014, dando muito destaque ao MMA Feminino e a atletas com menos visibilidade no MMA nacional.

 

Leia na íntegra a entrevista com André Barbosa:

 

Como você enxerga o cenário do MMA nacional hoje?

Nunca vi o cenário tão movimentado como hoje, com tantos eventos e atletas novos aparecendo. Só que infelizmente o ego as vezes fica acima de coisas primordiais dentro do cenário. A falta de união e o problema a ser batido para que o nosso esporte possa crescer saudavelmente.

Hoje temos muitas Comissões, Federações, o que pode ser feito para tentar diminuir e acabar com o amadorismo no esporte?

Para começar, o ideal seria assumir que o MMA é um esporte amador e que não há problema algum nisso. Só que os responsáveis por ele precisam ser profissionais, não adianta pregar profissionalismo se você não é profissional. Todas as entidades criticam a Lei Pelé mas sequer tem conhecimento e entendimento sobre o seu conteúdo.

Hoje temos várias confederações que exigem e se auto proclamam órgãos reguladores do esporte e nenhuma tem poder pra isso e nem terão enquanto não trabalharem em prol da união dos profissionais da área.

E isso só será possível se nós todos enxergarmos benefícios. A pergunta é simples: como eu vou aceitar ser cobrado se não recebo nada em troca? Está na hora dessas pseudo entidades começarem a se fazer essa pergunta.

Como você enxerga a TV aberta no MMA? Como ela poderia ajudar a desenvolver e divulgar o esporte?

É inegável que o TUF e o UFC em TV aberta popularizou o esporte. Porém não é difícil encontrar pessoas que quando vêem MMA na TV dizem que estão assistindo UFC, confundem o esporte com a promoção.

E aí que te pergunto, para os MMA nacional isso ajuda de que forma? Nenhuma, pra gente continua a mesma coisa.

Mas creio que é um cenário que pode mudar em breve devido a qualidade profissional dos novos promotores que estão transformando o cenário trabalhando muito duro. Creio que em breve podemos ter outros eventos em grandes emissoras.

Uma prova disso é a grande audiência que o EI (Emissora Esporte Interativo) está tendo com o MMA na sua grade, após apostar nos eventos nacionais.

Só que o cenário ainda não é o ideal, acho que o Brasil é o único lugar do mundo onde os eventos cedem seus direitos de transmissão em troca do custo de transmissão. E novamente esbarramos na falta de união, dessa vez entre os promotores.

Creio que juntos podemos ser mais fortes e uma união dos eventos emergentes, como por exemplo o Super Heroes, Talent, Coliseu e WOCS, nos daria muito mais poder de negociação frente as emissoras o que seria benéfico a todos.

Só que hoje a unidade é mais forte que o todo e competimos em um cenário em que todos estamos perdendo, já passou da hora de mudar.

Temos muitos atletas que lutam muitas vezes seguidas, porque não conseguem bolsas suficientes para pagar as contas. Pelo lado do promotor, o que o evento pode ajudar nesta parte?

Talvez eu não seja a pessoa mais adequada pra falar desse assunto, até porque a minha visão é que hoje, infelizmente, o MMA nacional deve ser encarado pelos atletas como um aprendizado, como uma faculdade.

Um cara que escolhe estudar medicina vai ralar de estudar por seis anos e é bem capaz que tenha um custo superior a 10000 reais nessa jornada atrás de se preparar para um carreira de sucesso no futuro.

Aqueles que tem o sonho de ser médico e não tem condições de pagar essa conta, vão precisar se dedicar duas vezes mais.

O cara que quer seguir a carreira de lutador precisa saber que pra ser bem sucedido nessa profissão será tão difícil como em qualquer outra e quem achar que vai pagar as contas com bolsas do MMA nacional pode ter certeza que estará fadado ao insucesso, esse é o nosso cenário atual e sem previsão de mudanças a curto prazo.

O evento pode ajudar? Claro que pode. Começa pelo fato dele ter um lugar para lutar, para começar a sua carreira, o que no cenário atual já é um grande feito.

O evento ter transmissão ao vivo, ter uma produção que divulgue os atletas, ter um assessoria que os coloque em evidência.

Todas essas ferramentas são dadas para que a equipe do atleta e os responsáveis pela sua carreira possam aproveitar essa oportunidade de visibilidade e capitalizar.

Só que a maioria das equipes ainda são muito amadoras e não tem planejamento e muitas vezes isso não é explorado, o que também precisa mudar. Cara, para finalizar: eu também não tenho verba para fazer o evento e mesmo assim não desisto do meu sonho e continuo indo atrás de torná-lo saudável financeiramente, se para o atleta não é fácil, imagine para o evento que tem custos absurdamente maiores para ser realizado com qualidade.

Presidente do MMA Super Heroes abre oportunidades para novos talentos - Crédito: Marcelo Franco
Presidente do MMA Super Heroes abre oportunidades para novos talentos – Crédito: Marcelo Franco

Como o MMA poderia ser atraente para o mercado publicitário?

A partir do momento que a gente consiga entregar para as marcas um alcance que eles almejem, com qualidade e embasamento.

Só que isso requer verba, requer um comercial qualificado e isso é uma coisa que visivelmente nós não temos hoje.

Mas eu tenho certeza que a partir do momento que as agências passem a olhar e investir em um departamento voltado para o MMA o retorno vai ser imediato.

Só falta essas agências nos atender melhor e passar a olhar para a gente, assim que isso acontecer o cenário pode mudar. Só que o único jeito de mostrar isso é dando continuidade, fazendo edições e dando continuidade, cada evento no seu formato.

Criar um sindicato de atletas seria viável?

Se sair hoje será mais uma entidade mal gerida. Se for bem pensada, com pessoas sérias por trás e que não precisem de dinheiro e façam por entusiasmo talvez possa dar certo. Mas o que o atleta precisa mesmo e dar valor aos eventos que os tratam bem, ter gratidão com aqueles que os revelaram e que lhes dão a primeira oportunidade.

O atleta precisa mudar sua mentalidade e entender que como toda carreira a dele também é uma aposta e não vai ser o “vizinho” que vai pagar essa conta para ele.

Ou ele planeja e traça metas para percorrer o caminho que o leva aonde ele quer chegar ou então procura outra coisa para fazer. Começar por uma equipe que lhe dê suporte, em escolher um manager que possa ajudá-lo e dar valor aos eventos que os divulgam é o passo inicial, fica o conselho.

Para finalizar gostaria de dizer que hoje temos muito mais entidades querendo nos atrapalhar do que nos ajudar.

Temos uma ação contra a CBMMA presidida pelo cidadão Lucinei Coqueiro Amaral, vulgo “Morsa”, que por duas vezes usou de má fé a espera judiciária para alcançar benefício próprio as nossas custas.

Como o compromisso do MMASH é com o esporte usamos da premissa de não nos aliarmos a gente ruim e incompetente, escolhemos comprar a briga do que pagar um real que seja para essa entidade e ter vínculo com gente que é pode ser tudo, menos séria.

Também deixo claro que somos chancelados pela FEMMAESP presidida pelo meu amigo Genival Ivo, entidade essa onde encontrei um parceiro e apoiador, que me ajuda em diversas situações. Portanto, por ser um evento paulista, respondo a minha federação e não a nenhuma confederação. Grande abraço.

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