Tenham mais paciência com o VAR

Monitor do VAR (árbitro assistente de vídeo). Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol, CT (EUA) – Não sei como andam as coisas no Brasil, pois os jogos de nossos campeonatos e copas despertam, no momento, pouquíssimo interesse em outros países  – alô, alô, cartolas pátrios – mas há algumas controvérsias do VAR no exterior que merecem análise.

A mais recente e talvez mais gritante envolveu o gol de Gabriel Jesus, do Manchester City, anulado contra o West Ham porque Raheem Sterling, que lhe passou a bola, estava um milímetro em impedimento.

Logo houve quem gritasse que o VAR deve ser abandonado.

Pergunto: vale mais a pena xingar o juiz de ladrão em casos controvertidos e, como já aconteceu no Brasil e outros países, abatê-lo mesmo a tiros?

É melhor um VAR ultra-rigoroso – rigoroso a ponto de despertar a chacota, como aconteceu neste jogo da Premier League – do que ter gols em impedimento clamoroso ou, ao contrário, ver gols injustamente anulados quando o atacante estava claramente em posição legal.

Como todo novo sistema, o VAR em seu início vem mostrando que deve ser ajustado.

E parece que é isto o que a IFAB, a International Board – os famosos velhinhos da FIFA –  vai fazer.

Convém lembrar o que é a IFAB. Embora se diga que são os velhinhos da FIFA, na verdade a International Board foi criada em 1886 e é anterior à formação da FIFA.

A FIFA a reconheceu, ao ser fundada, mas estabeleceu-se o seguinte: cada representante de uma das associções britânicas de futebol teria um voto, assim: um para a Inglaterra, outro para a Escócia, outro para o País de Gales e outro para a Irlanda do Norte.

A FIFA também teria um voto, mas o voto da FIFA valeria por quatro.

E – aí está a chave do negócio – as decisões só podem ser por maioria. Isto impede que as quatro associações britânicas se unam para aprovar uma mudança nas regras à revelia da FIFA. O empate em 4 a 4 não vale. E a FIFA, por sua vez, precisa de ao menos um voto de uma das associações britânicas para decidir alguma coisa.

Engenhoso, não?

Pois parece agora que tais velhinhos vão se reunir e estabelecer o seguinte: assim como nos casos de pênalti, o VAR só vai ser acionado se houver um erro clamoroso do juiz e dos bandeirinhas na marcação de impetimentos.

Se for um caso milimétrico, como a tal posição de Rahem Sterling (apenas um ombro dele estava além da última linha da defesa adversária), o VAR vai ficar na moita.

Vai valer o que juiz e bandeirinhas marcarem. E, no caso do gol de Gabriel Jesus, o lance teria sido válido, pois o bandeirinha não acenou e o juiz não apitou.

Tenham mais paciência com o VAR.

 

Um comentário

  1. O VAR vai ficar na moita significa que “impedimentos virtuais” seriam ignorados.Penso ser sensato,pois por aqui já tivemos gols anulados e validados por distâncias milimétricas,aquelas que o olho humano não consegue medir no momento da execução do lance e que grande parte do público acha justo mas ao mesmo tempo acha que o futebol ficou chato.Um dos princípios do VAR é que se trata de uma ferramenta utilizada pelo ser humano e não por um robot.Preparemo-nos pois para a volta do “juiz ladrão”,”bandeirinha fdp”,e outros adjetivos que sempre fizeram parte do folclore futebolístico.Há alguns dias perguntaram a um torcedor de um time do interior de São Paulo se ele estava gostando do VAR e ele respondeu “…..VAR..eia de quem apita”!!!

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