Esporte ou marketing?

Foto: AFP

Bristol, CT (EUA) – Finalmente foi feita a tentativa de quebrar a barreira das duas horas na Maratona – e o esforço não foi recompensado.

Corrijo-me:  do ponto de vista comercial, foi altamente recompensado, pois a Nike conseguiu uma imensa publicidade para o lançamento de seu novo sapato de corridas – o Nike Zoom Vaporfly Elite.

Alguns exemplares deles serão sorteados entre os participantes de duas provas de 5K organizadas pela empresa.

Daqui a algum tempo, deverão estar à venda.

Teria sido melhor para a Nike se a marca de duas horas para a Maratona tivesse sido superada, mas o tempo de 2:00:25 conseguido por Eliud Kipchoge, do Quênia, já é o suficiente para dar muito o  que falar.

Até os 25 quilômetros, ele estava no  ritmo para fazer 1:59:59. Na passagem dos 30 quilômetros, estava um segundo atrás.

No fim dos 42.195 metros, ficaram faltando 25 segundos que ele acredita poder ainda superar em uma nova tentativa.

A Nike não parece disposta, porém. Seus dirigentes agora dizem que vão tentar alguma outra façanha “com mulheres”, embora não tenham explicado o que seria.

Zersenay Tadese, da Eritreia, ficou com  o tempo de 2:06:52, melhorando seu recorde pessoal, que era de 2:10:41.

Só Lelisa Desisa, da Etiópia, ficou longe do que se esperava, com 2:14:10. Seu melhor tempo em Maratona é de 2:04:45, em Dubai.

O recorde mundial continua porém em poder de Dennis Kimetto, do Quênia, com 2:02:57, em Berlim.

A marca de Eliud Kipchoge em Monza, na Itália, não poder ser reconhecida para efeito de recorde mundial, porque, como bem observou o leitor Mosqueteiro em comentário em “post” mais abaixo, foi conseguida em condições “de laboratório”.

Escolheram o autódromo de Monza, de curvas suaves, fechado, com temperatura na largada de 12ºC, chuva fraca e umidade relativa de 74%. Havia seis diferentes equipes de coelhos (alguns deles famosos, como Bernard Lagat e Sam Chelanga) correndo em formação de “flecha” para otimizar a aerodinâmica.

Havia sempre duas equipes de coelhos, uma à frente dos três maratonistas, outra atrás. Quando a equipe de três coelhos à frente saía da pista, a equipe de trás passava à frente e uma nova equipe entrava para correr atrás.

Quanto receberam os maratonistas? Kipchoge recebeu um milhão de dólares pela tentativa e receberia outro milhão de dólares se  quebrasse a marca de duas horas. Creio que Tadese e Desisa ficaram também com um milhão de dólares cada um.

Mas, comercialmente, valeu muito a pena para a Nike.

3 comentários

  1. Penso que esporte e business são como carne e unha há muitos anos,e para os amantes do esporte muitas vezes é grande a decepção quando o marketing fala mais alto.Quanto à distância de 42,195Km instituída pela Federação Internacional de Atletismo desde a Olimpíada de Paris em 1924,opino que seria mais sensato adotar a distância de 40 Km percorrida na primeira Olimpíada de Atenas em 1896,alinhando-se à provável distância da lenda do soldado grego e tornando-se um desafio muito mais exequível para a raça humana em termos de tempo x percurso.Nunca participei de uma maratona,mas imagino que dois quilômetros a menos fariam uma salutar diferença.

  2. Caro Mosqueteiro: A primeira Maratona Olímpica na distância de 42.195 metros foi em 1908, em Londres. O motivo? A família real britânica queria assistir à largada e ela foi dada no Castelo de Windsor, com chegada no estádio White City, em Londres, mais uma volta na pista na distância de 536 metros. Apurou-se então que a Maratona Olímpica fora corrida num percurso de 42.195 metros mas só a partir da Olimpíada de Paris, em 1924, adotou-se oficialmente a distância de 42.195 metros.

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