A eterna dança de Maria Esther Bueno

Aos 78 anos, vítima de um câncer, Maria Esther Bueno faleceu nesta sexta-feira. (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Era fevereiro de 2016. Eu estava no Rio Open, com uma pequena câmera na mão, gravando uma matéria sobre os bastidores do ATP 500 carioca, principal torneio de tênis sediado no Brasil. Enquanto explorava cada canto do complexo, me deparei com ela: a maior lenda do tênis brasileiro.

O encontro foi o mais espontâneo possível, sem entrevista marcada ou produção planejada. Maria Esther Bueno, aos 76 anos, saía da academia, onde estava, segundo ela mesma, “destruíndo os aparelhos” (risos). Batemos um papo rápido e ela seguiu andando com disposição e leveza, como se não sentisse o peso da história que carrega. Eu, ainda atordoado por falar com a dona de 19 títulos de Grand Slams, líder do ranking em quatro temporadas e uma das maiores tenistas de todos os tempos, respirei fundo e segui pelo mesmo caminho, pressentindo que nosso encontro ainda teria ‘algo a mais’. E teve.

Maria Esther entrou em uma das quadras do Jockey Club carioca e foi recebida de braços abertos por uma fã italiana: a então recém-campeã do US Open, Flávia Pennetta. Com autorização de ambas, entrei na quadra e presenciei um bate-bola histórico, que representava o encontro entre diferentes estilos e épocas do tênis. Mais do que isso, tive a oportunidade de voltar a um tempo que não me pertence e ver de perto, ‘in loco’, Maria Esther Bueno. Jogando com classe, exuberância e até dificultando a vida de Pennetta com alguma bolas ‘à moda antiga’ (batida mais baixa e reta), a brasileira mostrou que estava em plena forma — não à toa seguiu praticando tênis até os seus últimos dias de vida.

Maria Esther Bueno seguia sendo a Bailarina do Tênis. Certamente, seguirá dançando por toda a eternidade.

Um comentário

  1. Como Deusa que foi, é e será sempre Dama Maria Esther Bueno ascendeu ao Olimpo e deixa uma lacuna irreparável não apenas no esporte, mas principalmente na vida desse nosso tão atribulado país. A Rainha do Tenis brasileiro, e mundial também, certamente foi uma das poucos pessoas no Brasil a merecer tal título nobiliárquico e ser de fato uma lídima representante insubstituível de uma elite de Classe, Finesse e Caráter.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *