Negócio de risco

(Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

A novela envolvendo Gustavo Scarpa, Palmeiras e Fluminense está longe de ser inédita.

A conturbada saída de Oscar do São Paulo para o Internacional foi apenas a mais famosa de muitas histórias semelhantes.

Em todas elas, houve desdobramentos judiciais, ampla cobertura das mídias e, como consequência, desgaste para todas as partes.

Em casos como o de Scarpa, que deixou o Fluminense amparado apenas por uma medida liminar, nunca há final inteiramente feliz; todos os envolvidos saem desgastados.

O clube que acolhe o atleta (no caso, o Palmeiras) corre o risco de assumir as diversas consequências – esportivas, institucionais e, eventualmente, econômicas – de uma sempre possível reviravolta judicial. E quando tal reviravolta não ocorre, sobram rusgas de difícil trato com o clube que, sem o recebimento de compensação alguma, deixa de contar com os serviços do jogador (no caso, o Fluminense).

Fato é que, além de ver-se privado de seu patrimônio, o clube derrotado liminarmente recebe um selo de mau pagador, antes mesmo de uma decisão judicial definitiva.

Para piorar, fica em situação constrangedora inclusive quando consegue reverter a decisão inicial para readquirir os direitos federativos do jogador: afinal, nunca é simples a reintegração de um atleta que, nestes casos, torna-se persona non grata perante dirigentes e, principalmente, torcedores.

É por isso que, não raro, a emenda sai pior do que o soneto, e o jogador termina por ser o principal prejudicado.

Além de não receber imediatamente o que pensa ser devido, sequer pode ganhar novos ares; não fica nem cá, nem lá.

A questão é saber como minimizar os inconvenientes desta dinâmica tão comum no futebol brasileiro.

Primeiro, é evidentemente desejável que os clubes sejam responsáveis e transparentes no cumprimento de suas obrigações trabalhistas.

Segundo, recomenda-se a maior cautela possível às agremiações que, ante uma situação incerta, resolvem apostar em negócios de risco para reforçar suas equipes a qualquer custo.

Por último, vale pensar em uma saída jurídica para reduzir o tempo de duração de imbroglios como o de Scarpa.

A resposta pode estar em uma das modificações trazidas pela reforma trabalhista já que, agora, litígios envolvendo trabalhadores bem remunerados, como os jogadores de ponta, podem ser resolvidos por meio de arbitragem. Para que esta forma de solução de controvérsias mais rápida e definitiva aplique-se aos litígios esportivos de natureza trabalhista, basta que cláusulas de arbitragem sejam inseridas nos contratos de trabalho firmados entre clubes e jogadores.

 

 

 

3 comentários

  1. Essa novela é antiga, todo mundo quer levar vantagem, o clube que ”contrata” o jogador, o jogador que tá cheio de trabalhar e não receber; e o clube mau pagador que se faz de vitima. E como neste País, a justiça é feita dependendo da conta bancária, fica essa palhaçada.

  2. CAÇAR A LIMINAR FOI UMA “CARIOCADA” A LEI PELÉ É CLARA SENDO VALIDA PARA TODOS OS ESTADOS, INCLUSIVE NO RIO. JULGAMENTO FEITO COM O CORAÇÃO TRICOLOR, JUIZES PARA AJUDAR O FLU, VÃO AO ESTADIO POIS ESTÃO JOGANDO PARA 3.000 PESSOAS. ESTE TRIBUNAL NÃO PODE ACABAR COM UMA LEI

  3. O Scarpa e o seca estão mau assessorados vista que são os mesmos representante e estão agindo com na fé. Veja no caso do Henrique dourado o representante dele negociou com o Fluminense e Flamengo pois o Henrique não queria mais jogar no fluminense e acorreu tudo bem entre as partes. O Scarpa e seca por ser canalhas deixou se levar por isso o certo é ficar na geladeira até o final definitivo do caso que deve levar muitos anos.

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