ESPORTE E LONGEVIDADE IV – Emoção na visita de Catunda

Após uma ampla interrupção, causada por questões de saúde, retornamos a esta série de artigos que tem o objetivo de aproximar o ontem do hoje, de expor as experiências vividas pelas antigas gerações de esportistas à mocidade que começa ingressar na militância de quase uma centena de modalidades esportivas.

Recebo muitas visitas na minha tenda de trabalho, localizada na Rua Estela, cada uma com um objetivo ou um tema para expor ou divulgar.

Neste rol, uma das figuras que mais me emocionou foi a de Paulo Catunda, nadador meu contemporâneo, que me trouxe 2 livros de sua autoria.

O primeiro que eu peguei para ler (já passei da metade) é denominado “Meus Amigos Nadadores”. Ele descreve passagens de sua vida esportiva e “amorosa” e a carreira de seus colegas nadadores, como Willy Otto Jordan, Plauto de Barros Guimarães, Helmuth von Schuetz, Piedade Coutinho, Tetsuo Okamoto,  o técnico Kanichi Sato e muitos outros  astros dos esportes aquáticos.

Como eu, Catunda diplomou-se pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, o que talvez o tenha levado a colocar seus biografados dentro de um contexto sócio-histórico, dando assim uma ideia do tipo de vida predominante na época em que eles floresceram.

Em um momento, Catunda sentiu a necessidade de complementar com números o perfil dos personagens de seu livro, bem como o dele mesmo.

A fonte seria, obviamente, as coleções encadernadas de A Gazeta Esportiva que, na minha época de repórter do setor aquático, publicava o nome e o tempo dos classificados até o 6° lugar, com as respectivas marcas técnicas.

O conhecimento dessas marcas obtidas permitia a avaliação da evolução técnica dos nadadores brasileiros, principalmente após a visita ao nosso país dos japoneses Furihashi, Yashimura, e Muraiama, mais conhecidos como os Peixes Voadores.

O acesso à A Gazeta Esportiva estava em minhas mãos, pois eu na época havia editado as informações tão procuradas, o que possibilitava explicar o progresso, não só de um nadador, mas de toda a nossa natação. No Brasil, a natação ocupava uma tarde dos participantes por semana. No Japão, os grandes astros nadavam em dois períodos diariamente, não sobrando tempo para seus estudos e formação profissional.

A visita de Catunda foi também emocionante pela amizade e admiração que tenho por ele.

No segundo livro, “1950- No Tempo da Garoa”, Paulo Catunda desenvolveu seu lado de historiador, dando uma ideia de como vivia um jovem que teria hoje mais de 80 anos.

Deixamos para outro artigo desta série a exposição das ideias de Catunda, juntamente com os comentários sobre as modificações que aconteceram no “São Paulo da Garoa”.

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