O Brasil já foi Brentford

 

Ser pequeno não significa ser frágil. Aprendemos isso desde cedo com Davi na história bíblica onde ele, pequeno, derruba o gigante Golias. Nosso futebol, durante décadas, foi assim. Grande sempre foi grande e os títulos ficavam com eles. Mas times atrevidos, que encaravam os grandões mesmo que a custa de algumas goleadas, eram comuns. Aliás, as vezes as surpresas eram tão grandes, que eles, os pequenos, batiam nos enormes. O Santos, de Pelé, o maior de todos, sofreu algumas.

Hoje a covardia tomou conta do nosso esporte predileto. Aliás desde que invertemos nossa cultura, consagrando a seleção de 1994 em detrimento de 1982. Claro que a retrancada ganhou, mas a outra venceu e trouxe uma quebra da nossa consciência de jogo. A maioria das partidas é marcada pelo medo. Ousadia sumiu do mapa.

Quando vemos o pequeno Brentford fazer o que fez com o enorme Liverpool no maior Campeonato do mundo, a Premier League, bate uma certa nostalgia. Porque não voltarmos aos grandes espetáculos, as grandes emoções e as surpresas. Infelizmente fica só no desejo. Em termos de realidade, parece quase impossível vermos novamente em nossa terra, coisas assim.