Brasil país do futebol?

 

 

Depois do 7 a 1 mudou um pouco, mas a mania de grandeza dos brasileiros sempre nos vendeu como o “país do futebol”. A Pluri Consultoria de Fernando Ferreira, fez um interessante levantamento com base em 2019, sobre a situação dos nossos clubes. O Brasil tem 650 oficialmente profissionais, distribuídos em 422 municípios dos 5570 que temos em toda nação. Isso mostra que metade da população brasileira cerca de 100 milhões de pessoas, vivem em locais onde não existe futebol profissional.

Apenas 35% dos dias de jogos são usados por todos . A maioria vive dos 3 meses dos famigerados estaduais. Com eles há um esboço do profissionalismo, mas os clubes inexistem em 9 meses de cada ano. Para se justificar a existência de um time, é de se imaginar que ele jogue o ano todo, envolvendo assim sua gente, sua cidade, seus torcedores. Ou seja, o mínimo que precisariam ter era um calendário de ano inteiro, coisa que nem se cogita.

O tal falado país do futebol tem apenas 128 agremiações, que possuem atividades anuais, ou seja menos de 20% do total. Some-se a isso a desproporção regional. São Paulo tem 89, o Rio de Janeiro 66 e o Rio Grande do Sul 41. O Amapá 5 e Roraima 6. São números vergonhosos.

O potencial para termos várias divisões nacionais com atividades de fevereiro a novembro, pelo menos, é enorme. Mas a esmola dos campeonatos estaduais tira esta possibilidade. Os presidentes das federações menores aceitam dinheiro da CBF, para organizar um evento menor de poucos meses, pagando com a fidelidade de seu voto. Não prestam conta de nada e nem se preocupam em fomentar o esporte.

Em cima disso são perdidos milhões de reais com eventos, muitos meninos não conseguem sequer a chance de treinar numa equipe mais séria e mostrar seus eventuais potenciais, enquanto a televisão com os jogos do exterior tomam conta de um mercado nosso, que fica absolutamente inexplorado na maior parte do tempo. Este é mesmo o país do futebol?