A quarentena do Fenômeno

 

Imagem das Redes Sociais

 

Se há alguma coisa de bom na quarentena imposta ao mundo, são as lives, que rolam durante todo dia nas Redes Sociais. Vejo muitas, faço algumas, tenho aprendido bastante. Hoje fiquei colado na live do Padre Fábio de Melo, que não conheço mas admiro, com Ronaldo Fenômeno. Tudo muito humano, longe do glamour, que sempre vemos nestes dois grandes personagens.

Ronaldo está retido, sozinho, há 25 dias em Madrid. Na verdade, tem a companhia de duas cachorrinhas. Ele não conseguiu embarcar antes do fechamento dos aeroportos e sua rotina virou tão simples, num enorme apartamento em Madrid, como a nossa em nossas casas aqui no Brasil.

E ele foi um narrador do momento espanhol. Falou do aumento das agressões familiares, das rápidas fugas com as cachorrinhas pelas ruas, antes que algum policial o aborde e contou também sobre mais de duas mil prisões por desobediência ao confinamento. Até helicópteros são usados, passando mensagens fortes aos que resolvem circular indevidamente.

E como um homem comum, todos os dias, as 20 horas, sai na varanda para aplaudir as pessoas, que estão cuidando da população, mesmo expondo-se a riscos. Os médicos, enfermeiros e trabalhadores dos hospitais, são homenageados, neste ritual, diariamente na Espanha. O jogador extraordinário estava humanizado. Falou da infância e de seus projetos sociais e contou do constrangimento de não poder tirar fotos com os entregadores de alimentos, que se emocionam ao vê-lo retirar suas entregas. Abraços e fotos próximas, estão proibidas.

E se emocionou lembrando o dia, que aos 9 anos, foi esnobado por um jogador do Flamengo, depois de ficar horas na saída do Maracanã para tentar um autógrafo, ao lado do pai. Não disse o nome, mas reverenciou que quem ajeitou tudo, Zico, seu ídolo maior Não espera ver Zico. Era sonhar demais. Mas ele veio, tirou uma foto e autografou um papel, que o futuro craque guarda até hoje.

Vi um Ronaldo comum, lembrando o garoto que conheci em 1993 num programa de televisão. Ele usava aparelho nos dentes era magrelinho e falava olhando para o chão. Depois, na Copa de 1994, ficava batendo papo com os repórteres, enquanto o time titular da seleção brasileira treinava. Essa relação mudou. Hoje ele evita as entrevistas e tem seus motivos. Não consegue atender a todos. Fazia tempo que não via Ronaldo assim. Lembrei do garotinho que conheci há 27 anos. O vírus está fazendo todo mundo refletir.