Sem mata-mata

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O risco da volta do Campeonato Brasileiro no sistema mata-mata parece cair a cada dia. As televisões, que pagam boa parte da conta, não aceitam diminuir o número de jogos. Além disso, some a previsibilidade da venda de pacotes de pay-per-view. Você pode comprar para o torneio todo e seu time sumir das telas depois de 25 jogos. Com os pontos corridos há a garantia de 38 apresentações.

Mesmo num tempo de exceção a ideia desta nefasta fórmula me incomoda. Os clubes mais planejados poderão ser derrotados por obras do acaso e os sortudos virarão “donos da verdade”, num país onde só vale o “resultadismo”. Nos moldes atuais não se ganha um Brasileiro assim. Os mais planejados é que brigarão pelo título sempre. E isso é muito precioso.

Falta ainda o entendimento de que a Libertadores não premia, necessariamente, o melhor. As vezes boas tabelas,  noites de felicidade ou inspiração, mudam histórias em favor de equipes pouco ou nada cuidadosas com seus projetos de trabalho. Só o turno e returno oferece um relatório real de quem efetivamente trabalha certo.

Se algo tiver que ser sacrificado que sejam os Campeonatos Regionais. Eles sacrificam nossa paciência e nosso futebol há anos. Se sumirem do mapa em 2020, além de não mudarem em nada a vida dos grandesclubes, poderão deixar claro suas insignificância e quanto atrapalham nosso calendário.

E mais, passou da hora de um alinhamento com o mundo, com nossos certames começando e acabando no meio dos respectivos anos. Desta forma não saíram jogadores brasileiros de ponta no meio das competições. Os times que começarem terminarão muito parecidos. No meio da tragédia de uma pandemia mundial, talvez possamos achar a luz da ressurreição de um futebol, que já foi tão grande, que virou referência.