A tática da conversa

 

 

 

 

 

Para jogar futebol é preciso ter o dom. Depois uma boa oportunidade e finalmente orientação tática. Claro que isso não é matemático. As coisas não são tão simples assim. Mas faltando uma delas dificilmente o jogador se torna grande, importante e reconhecido.

Muitos ficaram pelo caminho. A maioria pela falta de orientação tática, que passa muito por conversas. Na Europa é menos usual, mas no Brasil ainda faz toda diferença. Poucos treinadores ou dirigentes sentam para saber dos problemas dos seres humanos, que estão nos jogadores de futebol.

O grande filósofo português, Manoel Sergio, que tive a felicidade de entrevistar, tem como frase básica: “não existem chutes e sim homens que chutam. Não existem gols e sim homens que fazem gols, não há táticas mas homens que obedecem diretrizes”.

Manoel Sergio sempre foi o guru de José Mourinho, que sempre conversou bastante. Quando abandonou essa prática, caiu de rendimento. No passado, no Brasil, Osvaldo Brandão, grande campeão, era perito num bom bate papo, mais do que nas estratégias. O mesmo pode se dizer de Felipão.

Pep Guardiola virou uma referência pela somatória das duas coisas. É um talento tático e não se furta a ouvir seus comandados. Não sei como as coisas andam nos nossos vestiários. Parece que hoje as conversas são mais com procuradores do que com treinadores. Tem algo errado nessa relação.