Beleza faz diferença

 

 

 

Vinicius de Morais sempre elogiou a beleza e eu como fã do poetinha, concordo plenamente. Sim, a beleza é fundamental em qualquer coisa que se faça. O futebol não pode ser diferente. Infelizmente embarcamos numa triste onda de jogo feio, após a já distante conquista de 1994, quando quebrou-se um jejum de 24 anos sem Copa do Mundo, jogando-se futebol de resultado.

Lá se vão 25 anos e seguimos da mesma forma. O que interessa é ganhar, mesmo que jogando feio as derrotas se somem ao montes. O Brasil se acomodou. Ninguém assume o espetáculo, poucos se interessam na vitória com grandeza, adotando o “ganhar de qualquer jeito”. E os treinadores compraram esses discursos. Manter seus cargos ficou mais importante do que gerar história e boas filosofias dentro de campo.

Telê Santana sofreu com isso, Fernando Diniz vive sob censura e até, os mais conformistas, criticam o estrangeiro Guardiola, que mudou a história do futebol com seu mágico Barcelona de 2008. Paramos no tempo por todos esses fatores. Até que fomos invadidos. Primeiro Juan Carlos Osório, depois Reinaldo Rueda, Gareca com idéias, mas sem tempo e por último Jorge Sampaoli e Jorge Jesus.

O mundo deles é outro. Os conceitos priorizam a beleza e eles estão ganhando. Aí acabaram os argumentos. Todos estão sendo obrigados e sair da zona de conforto e dar um pouco mais em nome do espetáculo. Felipão caiu porque seguiu na mesmice. Seus números eram bons, mas com futebol desagradável.

Que legal que essas mexidas externas estão aí. Bem vindos gringos com preocupações estéticas, maiores que os resultados, embora eles consigam também vencer. Todos gostam de vitórias e o esporte é para competição. Mas se os jogos do exterior, que vemos pela televisão,podem ser bonitos e arrastar multidões, qual motivo para renegarmos Vinicius? Sim, a beleza continua fundamental.