O libertador preso

 

Conheci pessoalmente Jean-Marc Bosman. Ele veio ao Brasil em 1995 explicar a vitória que teve no Tribunal de Justiça da União Européia, num caso envolvendo 800 mil dólares de multa, que precisaria pagar para trocar seu time o Standard de Liège da Bélgica, por outro da Segunda Divisão da França.

Essa vitória, que demorou 5 anos, inviabilizou a negociação com a França, mas abriu as portas do dinheiro do futebol para os jogadores. A Fifa foi intimada a acabar com a “Lei do Passe”, que prendia os profissionais aos clubes. Eles poderiam cuidar das próprias vidas, fazendo seus próprios contratos dali para a frente. Muitos fizeram. Bosman não.

Depois de vencer a causa, que originou no Brasil por exemplo, a Lei Pelé, o belga foi boicotado por todos os times do mundo. Atuou apenas no pequeno Vise por 7 jogos e não conseguiu mais trabalho. Perambulou dando palestras, teve algum destaque na mídia, mas aos poucos foi esquecido.

Voltou ao noticiário em 2013, quando foi preso por agredir a esposa. Estava sem dinheiro, em estado depressivo e dependente de álcool. Nunca mais ouvi falar dele depois disso. Sabe-se lá o que ocorre agora com o libertador dos atletas de futebol.

A vida é curiosa. Tentei falar com pessoas no sentido de ajudá-lo. Não obtive sucesso. Os mais jovens nem sabem quem ele foi. Jean-Marc Bosman, o cara que gerou possibilidade de fortunas a muitos atletas de futebol, desapareceu na história. Não usufruiu de nada do que conseguiu para os outros.