O que aprendi com o China

Foto: divulgação/RedeTV

 

Morreu Juarez Soares. Trabalhamos juntos na TV Record e na Band. China era mais velho que eu, mais sábio. Conversávamos bastante e a melhor lembrança e aprendizado, vem da Copa do Mundo de 1990, quando dividimos a Chefia de Reportagem numa cobertura onde só tinham feras na TV Bandeirantes.

Até 1986 jogadores e imprensa eram amigos. Todos entendiam que estávamos em missão fora do país e que deveríamos nos ajudar. Em 1990 com a maioria vinda do futebol europeu, começou uma guerra terrível, que virou o que temos hoje, ou seja, cada um para o seu lado, sem ninguém se preocupar com o trabalho do outro.

Foi uma surpresa ter ocorrido aquilo. Mas a imprensa não afinou. Fomos pra cima deles. Maus tratos lá, maus tratos cá. Eu mesmo tinha um ótimo informante dentro da concentração e passava todas as informações das brigas entre eles, pela grana da premiação, que aliás estava mesmo sendo surrupiada pelos caras da “nova”CBF de Ricardo Teixeira.

O problema é que o mau ambiente veio também para o grupo de jornalistas. Sem perceber começamos a brigar por informações “exclusivas”. Até que o China intercedeu. Passou uma informação, que eu lhe dera por ser da mesma equipe, e eu não gostei. Aí veio a sabedoria: “ele só quer trabalhar. Nada além disso. Vamos ajudar o cara a fazer o trabalho dele”. E assim foi.

Nunca mais retive informações de outros companheiros. Não há exclusiva para mim. Passo adiante, porque o China me mostrou, que nosso bom relacionamento com companheiros, é mais importante do que “furos”. Eles hoje são quase impossíveis com as redes sociais, mas ainda assim, mudei meu hábito.

Devo essa ao China. E algumas boas conversas e confidências. Os dramas da doença da esposa amada, que ele tanto lamentava, as dificuldades dos últimos anos e os novos momentos das coberturas jornalísticas. China tinha 78 anos e muito a ensinar. Mas pouca gente jovem queria ouvir.