Jogadores carentes

Quando o juiz apitou o final do jogo entre River do Piaui e Bragantino do Pará com vitória dos paraenses por 1 a 0, quase todos os jogadores do River choraram. Não era somente o choro pela eliminação da Série D do Campeonato Brasileiro, era também a lágrima da dúvida sobre o futuro. Aquele apito significou desemprego para 27 pais de família. O River não tem mais o que fazer até 2020.

Foi o zagueiro Audálio quem manifestou o desespero coletivo, falando por ele na rede social. “Hoje estou triste, desempregado e com mais de 10 bocas na minha casa, para comer todos os dias”. Audálio é jogador de futebol e vive no Brasil. Parece um casamento perfeito. Mas está longe disso. Graças aos campeonato regionais, usados para comprar votos dos presidentes das federações, pela CBF, a maior parte dos quase 700 clubes do país, só oferece trabalho aos profissionais por 3 ou 4 meses no ano.

O River ainda teve uma sobrevida porque disputou a Série D e se seguisse iria até agosto. A maioria para no começo de abril, mas as contas dos orçamentos mirrados não se encerram. Eles têm que se virar para sustentar as famílias até o ano seguinte. Só a CBF pode mudar isso, criando calendário anual para todos. Mas não parece ter interesse.

Audálio vai se virar. Pode ser pedreiro, faxineiro, professor, motorista de aplicativo, sei lá o que. Hoje ele não sabe exatamente qual seu trabalho. Ele gostaria de ser jogador de futebol, mas só tem um pequeno espaço no ano para fazer isso. Pobre Audálio, pobre gente iludida. Eles ouviram falar, quando crianças, que o Brasil era o país do futebol.