O Sistema

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Sabe aquele jogador que você não consegue entender como atua com a gloriosa camisa do seu clube? O sistema entende.

Os clubes vendem vários jogadores todos os meses, mas nunca têm dinheiro. As compras por outro lado, quase sempre são estranhas com preços altos e contratos bem longos, gerando dívidas de muitos anos para suas equipes, em vários casos até passando do tempo de duração das diretorias que fecharam os negócios.

Porque acontece isso? Há um sistema funcionando, faz tempo, no Brasil onde 5 ou 6 empresários comandam tudo. São eles que cobram, vendem, emprestam dinheiro, impõe contratos longos, percentuais aos jogadores/terceiros e nada ocorre sem que eles participem.

A grana rola por todo lado, começando pela base. Quase todo mundo participa. Presidentes, treinadores, assessores e até alguns “jornalistas” dividem esse bolo. É quase impossível sobreviver no futebol brasileiro sem fazer parte desse sistema. Há influência até em escalações.

Sabe aquele jogador que você não consegue entender como atua com a gloriosa camisa do seu clube? O sistema entende. E aqueles que são contratados e nunca jogam, somem de repente e aparecem rapidamente em outros lugares? Pois é. Tente mapear o nome dos empresários deles. Ficarão surpresos. São sempre os mesmos.

Enfim, o Brasil foi o país que mais negociou jogadores no mundo em 2018. Mas os clubes continuam sem dinheiro. E as vagas para presidência de várias equipes são disputadas a tapa, com muitas baixarias e até processos e agressões. Eles querem ficar à disposição por 12 a 15 horas diárias, ganhando pouco ou até não recebendo nada em alguns casos.

Sabe porque? Porque é um negócio maravilhoso. É uma maneira de ficar rico sem pagar impostos, ganhar status, dar entrevistas e ter apenas que trocar os treinadores de tempos em tempos. Mas e os clubes? Esses estão ficando cada vez menores, perdendo referências e torcedores, especialmente entre os jovens.

Só que nesse caso não tem muito jeito. O sistema não tem interesse em mudanças. Então a menos que haja obrigatoriedade dos clubes virarem empresas, os que estão no poder vão cuidar para que nada se altere. Para eles está bom demais.