Vergonhoso

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Não é a primeira vez que o futebol brasileiro faz esse papelão. Palmeiras e Atlético Mineiro, milionários da América do Sul, foram eliminados, em dois jogos na Libertadores, para times minúsculos no cenário internacional. O Atlético caiu para o Jorge Wilsterman da Bolívia. E o Palmeiras para o Barcelona de Guayaquil. Os orçamentos são incomparáveis. Cansamos de ouvir treinadores, dirigentes e pessoas do nosso país, alegando que os europeus só vencem e dão show por causa do dinheiro que investem. A proporção é a mesma se compararmos o Brasil com as outras nações desse lado do mundo.

Jogadores titulares de seleções sulamericanas jogam em times médios do nosso país, porque a diferença financeira é muito grande. Allione prefere ser reserva no Bahia do que voltar para o Boca Juniors ou River Plate. Mena poderia escolher a equipe que gostaria de atuar no Chile, afinal é da seleção nacional, mas optou pelo Sport Recife. O mesmo vale para Armero da seleção colombiana, que fica de bom grado no Bahia, mesmo sabendo que só lutará para não cair.

Não é a primeira vez que os times brasileiros dão vexames desse porte. Ficam atrás de clubes inexpressivos, quase todos os anos, na Copa Libertadores. Chegam nas fases decisivas na mesma proporção que paraguaios, uruguaios, argentinos ou equatorianos, onde simplesmente não há dinheiro para se investir.

O futebol brasileiro volta para a berlinda. Está claro que o caminho atual é totalmente equivocado. Agremiações com conselheiros párias e presidentes mais preocupados em se perpetuarem no poder do que trabalharem por suas entidades, levam a esse estado de coisas. Passou da hora de termos clubes com donos, com ações na Bolsa de Valores e gente que seja do ramo. Não aventureiros que se dividem em dois grupos, os ladrões e os incompetentes. A maior parte pode ser referência nos dois lados.