Uma brincadeira muito séria

Foto: Gazeta Press

Faz parte do futebol de hoje o Cartola FC. Em vários locais do mundo existem esses jogos, que ajudam a agitar os Campeonatos e que são discutidos tanto quanto algumas partidas. No Brasil a brincadeira caiu no gosto das pessoas. A Globo organiza e divulga amplamente. A princípio é bem legal. Só que estamos no Brasil e aqui até a mais simples ação pode se transformar em coisa errada e perigosa.

Para participar do Cartola ninguém precisa gastar dinheiro. Mas muitas “Ligas” paralelas foram criadas por participantes. Eles aproveitam a estrutura e fazem competições entre grupos de pessoas valendo muito dinheiro. Apostas pesadas ocorrem e acabam significando uma jogatina, que não tem nada com o futebol e muito menos com a ideia original do Cartola.

Só que isso está sobrando para os jogadores. Vários já sofreram ameaças por terem feito faltas, expulsões ou pênaltis perdidos. Como se não bastassem os torcedores insatisfeitos com suas equipes, agora há cobrança de “jogadores” viciados, que perdem ou ganham fortunas de acordo com o que ocorre num jogo de futebol.

Mais de um atleta já confessou que deixou de fazer uma falta para não ser expulso e “perder pontos no Cartola”. E isso gera conflitos em vestiários. Hoje já é possível notar-se, claramente, o descontentamento de profissionais questionados sobre o tema. Outro dia uma repórter perguntou a Lucas Pratto o que significava “ser o mais escalado no Cartola”. E ele irritado retrucou:

– Quem me escala é o Rogério Ceni.

No rumo que as coisas vão não será surpresa se aparecerem “compradores” de ações e resultados em partidas ligadas ao Cartola. Desonestidade existe em todo lugar e no futebol, então, o que não falta é esse tipo de gente. A inocente brincadeira está ficando muito séria. Já teve briga de jogador com gente que o questionou na rua por uma falha. E essa pressão extra só tende a crescer. O alerta está feito. A intenção do Cartola é muito boa. Mas a realidade está sendo bem diferente.