Gabriel vai embora, mercado brasileiro é assim

Foto: AFP
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Gabriel foi vendido pelo Santos para a Inter de Milão. Gabriel Jesus já é jogador do Manchester City, mas fica no Palmeiras até dezembro.

Os dois campeões olímpicos ainda não completaram 20 anos e já vão deixar o futebol brasileiro.

O mercado brasileiro vive uma situação bem clara. Os grandes destaques são jovens que ainda não foram vendidos e veteranos que já retornaram depois de anos no exterior.

Os jogadores na faixa de 25, 26 anos, são na sua maioria atletas que não conseguiram mercado na Europa. Nos últimos anos, muitos jogadores sul-americanos chegaram no país, mas normalmente são atletas que também não tem espaço em um mercado maior.

A saída de atletas para o exterior começou a ganhar força na década de 80 e ficou muito comum na década de 90.

Até pouco tempo atrás, a parte financeira era praticamente a única razão para um atleta deixar o país, hoje em dia a coisa mudou. Claro que a parte financeira ainda tem grande peso, mas hoje faz parte de um pacote. Nos últimos anos o futebol na Europa cresceu muito em todos os sentidos, na qualidade, visibilidade, repercussão e também na parte financeira. Qualquer atleta de bom nível tem no seu plano de carreira a saída para a Europa.

O mundo globalizou, os clubes europeus repercutem em todos os continentes, os melhores jogadores do planeta estão lá, então todos querem estar entre os melhores.

O futebol brasileiro pode melhorar essa situação. Nosso campeonato precisa ser mais relevante, o calendário pode ser mais organizado. O futebol brasileiro tem dificuldade para lotar os estádios, nosso campeonato pode ser mais atrativo.

Um bom passo seria pensar o campeonato como um todo. Os torcedores brasileiros estão acostumados a acompanhar apenas o seu time, no máximo os rivais regionais e não o campeonato.

Um jogo entre duas equipes, mesmo que estejam disputando a liderança, só terá peso significativo nos estados das equipes envolvidas e não em todo o país como poderia ser.

Precisamos pensar o futebol como produto, o campeonato como um todo e não fragmentado e dividido de acordo com a região. O campeonato precisa ser forte e relevante no próprio país, como liga, como produto, se não for assim, dificilmente terá peso para pelo menos fazer o jogador pensar em ficar mais um pouco.