Brasil deve seguir um caminho

Foto: AFP PHOTO / Odd Andersen
Foto: AFP PHOTO / Odd Andersen

O Brasil sofreu nos últimos anos no futebol e deve continuar sofrendo pelo menos por mais algum tempo. A eliminatória para a Copa de 2018 promete ser equilibrada e difícil até o final. Existe sim a chance real do Brasil não estar na Rússia.

A chegada de Tite é positiva. A seleção será dirigida pelo melhor técnico brasileiro. Em quase todas as derrotas o maior questionamento é sobre a postura dos jogadores, a análise fica superficial, quase sempre tudo fica resumido a raça e vontade.

O jogo em si é pouco discutido. Quase não falamos de modelo de jogo, consideramos normal uma interrupção da linha de trabalho e a troca por um estilo completamente diferente, ainda não entendemos as mudanças dos últimos anos e a força cada vez maior do jogo coletivo.

A seleção olímpica de Rogério Micale não foi brilhante, começou mal, ajustou, reagiu e cresceu. Fez bons jogos, uma ótima semifinal contra Honduras, independente da qualidade do adversário e uma final abaixo do adversário no jogo coletivo.

Mas um fator foi muito positivo, o Brasil tinha uma proposta e isso ficou claro. Uma das ideias de Micale era tentar uma formação utilizando os quatro atacantes, Gabriel, Neymar, Gabriel Jesus e Luan. Treinou essa alternativa em Teresópolis, tentou fazer no amistoso contra o Japão, desistiu em 17 minutos, contra a África do Sul funcionou um pouco melhor, contra a Iraque foram apenas 9 minutos, a ideia na prática não estava funcionando. Mas Micale não desistiu e iniciou com os 4 contra a Dinamarca, jogo em que corria risco de eliminação. Gabriel e Gabriel Jesus pelos lados, Neymar e Luan por dentro, deu certo, o time fez boa partida e cresceu na competição.

Ajustes foram feitas, Walace entrou no time, Renato Augusto recuou e qualificou a saída de bola, Neymar e Luan conseguiam entender o momento de acelerar e cadenciar e Gabriel e Gabriel Jesus eram perigosos entrando na diagonal e fechavam os lados sem a bola.

O objetivo sempre foi propor o jogo e isso não deixou o time exposto. Com a linha adiantada, Marquinhos e Rodrigo Caio encaixaram bem pela velocidade e técnica e o time todo apertava o jogador que tinha a bola, dificilmente o adversário ultrapassava as linhas com tranquilidade.

Focamos muito nos resultados, claro que são importantes, mas para chegar em grandes resultados um caminho precisa ser percorrido. O Brasil deve buscar esse caminho, normalmente é feito o caminho inverso, mudanças radicais a cada derrota e normalmente o novo caminho escolhido é o oposto do anterior. O Brasil precisa buscar uma identidade, um modelo de jogo e seguir, derrotas e tropeços vão acontecer no meio do caminho, mas se não seguir em frente, o time não sai do lugar.