O Damião carioca

Foto: Mowa Press
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Ele chamou muito a atenção. Primeiro pelo cabelão, mais esquisito do que o do Ronaldinho e depois pelo futebol solto. Bruno Cortês foi o jogador da noite no Pará. E não faltaram perguntas, fora do Rio, é claro, afinal sobre quem era esse cara ? Esse cara ainda andava de trem no começo do ano. Jogou na terceira divisão do Rio, pouco mais que uma várzea. Saiu rapidinho para o Catar e voltou mais rápido ainda. Aí conseguiu um lugar no Nova Iguaçú, minúsculo time de subúrbio, no Campeonato Carioca desse ano de 2011. Ia treinar de trem, ganhava uma miséria, mas conseguiu se destacar. Foi o melhor lateral esquerdo da competição. Emprestado ao Botafogo, destacou-se e pela absoluta ausencia de craques na posição, acabou recebendo uma chance de Mano Menezes nessa Copa Roca. Nem televisão para ver a convocação ele tinha. Soube por um amigo e jogou-se no chão chorando e lembrando de tudo que vivera até chegar a esse momento. Aí resolveu casar-se e começar vida nova. A festa foi num Habbib’s da Zona Norte do Rio para 60 amigos. Agora já pensa em comprar um carro. Está até na auto escola. Finalmente vai aposentar o trem. Sofrido, aprendiz dos campos da vida, começou com certa tensão no jogo de ontem, mas terminou vendo que ali era bem mais seguro e fácil do que nos campinhos ruins e perigosos onde jogara até então. Benvindo, varzeano Cortês. Voce é a essencia do nosso futebol. Que venham outros como voce e o Leandro Damião. Foi sempre assim que surgiram os maiores nomes nos nossos estádios. Dos toscos campinhos suburbanos e das festas nas casas de esfihas.