{"id":161,"date":"2021-04-14T15:30:44","date_gmt":"2021-04-14T18:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/fernandasilva\/?p=161"},"modified":"2021-04-14T15:45:49","modified_gmt":"2021-04-14T18:45:49","slug":"80-anos-atras-e-proibido-jogar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/fernandasilva\/2021\/04\/14\/80-anos-atras-e-proibido-jogar\/","title":{"rendered":"80 anos atr\u00e1s: \u00e9 proibido jogar"},"content":{"rendered":"<p>O ano era 1941.<\/p>\n<p>Neste dia, um decreto-lei mudava o destino de centenas de mulheres brasileiras. Elas n\u00e3o poderiam mais jogar bola ou praticar quaisquer outros \u201cesportes incompat\u00edveis com as condi\u00e7\u00f5es de sua natureza\u201d.<\/p>\n<p>Parece exagero dizer assim, mas <strong>uma de n\u00f3s<\/strong> dentro das quatro linhas poderia, sim, virar caso de pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Era Ditadura do estado novo e a preocupa\u00e7\u00e3o, alegavam, era com as poss\u00edveis consequ\u00eancias provocadas por certas modalidades ao corpo feminino. Ent\u00e3o presidente do Brasil, Get\u00falio Vargas baixou o Decreto-Lei 3.199, que proibia as mulheres de jogarem futebol. Naquele ano, o<em> Jornal A Gazeta<\/em> entrevistou dr. Leite de Castro, segundo a publica\u00e7\u00e3o, o primeiro m\u00e9dico do Pa\u00eds que se dedicou especialmente \u00e0 medicina esportiva. Para ele, o esporte traria para mulheres &#8220;defeitos e v\u00edcios&#8221;, al\u00e9m de &#8220;altera\u00e7\u00f5es gerais para a pr\u00f3pria fisiologia&#8221;, comprometendo seriamente &#8220;os \u00f3rg\u00e3os da reprodu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Como escreveu minha colega Olga Bagatini, a maternidade era considerada ent\u00e3o a principal fun\u00e7\u00e3o social da mulher.<\/p>\n<figure id=\"attachment_162\" aria-describedby=\"caption-attachment-162\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-162 size-large\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/fernandasilva\/files\/2021\/04\/734b0db1-dede-40d4-afdf-bcecb1c555d9-766x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"856\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/fernandasilva\/files\/2021\/04\/734b0db1-dede-40d4-afdf-bcecb1c555d9-766x1024.jpg 766w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/fernandasilva\/files\/2021\/04\/734b0db1-dede-40d4-afdf-bcecb1c555d9-224x300.jpg 224w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/fernandasilva\/files\/2021\/04\/734b0db1-dede-40d4-afdf-bcecb1c555d9-768x1027.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/fernandasilva\/files\/2021\/04\/734b0db1-dede-40d4-afdf-bcecb1c555d9.jpg 957w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-162\" class=\"wp-caption-text\">Jornal A Gazeta, de 1941 (Foto: Acervo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Foram mais de 40 anos at\u00e9 que as mulheres pudessem voltar ao campo sem correrem o risco de estarem cometendo um crime.<\/p>\n<p>Uma vez considerada atra\u00e7\u00e3o circense, antes mesmo da proibi\u00e7\u00e3o, o esporte sofre, at\u00e9 hoje, as mazelas desse passado. Seja na disparidade dos sal\u00e1rios, na falta da profissionaliza\u00e7\u00e3o da modalidade, e, porque n\u00e3o, na falta de visibilidade.<\/p>\n<p>Aqui, estamos falando de um problema estrutural. Passa pelos governantes (como passou por 40 anos), pelas institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por fazer a modalidade acontecer, como a CBF e as federa\u00e7\u00f5es e, tamb\u00e9m, por mim e por voc\u00ea.<\/p>\n<p>Voc\u00ea mesmo, caro leitor.<\/p>\n<p>Provavelmente, em algum momento, j\u00e1 ouviu -ou j\u00e1 falou &#8211; algumas dessas frases: \u201cfutebol feminino \u00e9 chato\u201d, &#8220;elas n\u00e3o sabem jogar&#8221;, &#8220;o jogo \u00e9 feio&#8221;,\u201cn\u00e3o \u00e9 pra mulher\u201d, \u201clugar de mulher \u00e9 na cozinha\u201d. E isso falado aqui, na terra do futebol. Afinal, \u00e9 assim que somos conhecidos, n\u00e9?<\/p>\n<p>N\u00e3o vou passar pano para quem disse essas frases. Elas est\u00e3o erradas e ponto final. Mas podemos melhorar daqui pra frente, n\u00e3o podemos?<\/p>\n<p>Se as cotas de pagamentos foram igualadas no \u00faltimo ano, se, hoje, temos mulheres no comando da equipe feminina, e batemos recordes de audi\u00eancia na \u00faltima Copa, \u00e9 poss\u00edvel ser otimista. A coisa est\u00e1 melhorando. E a tend\u00eancia \u00e9 evoluir cada dia mais.<\/p>\n<p>Para ajudar nesse processo, as pequenas coisas tamb\u00e9m valem e s\u00e3o importantes. Seguir o time feminino da sua equipe de cora\u00e7\u00e3o nas redes sociais, assistir aos jogos transmitidos, ir ao est\u00e1dio apoiar as jogadoras (claro, quando for liberado, ap\u00f3s a pandemia). D\u00e1 pra ser ainda mais pr\u00e1tico: apoiar as mulheres que est\u00e3o ao seu lado. O futuro \u00e9 a base.<\/p>\n<p>Faltam apenas <strong>100 dias para os Jogos Ol\u00edmpicos<\/strong> de T\u00f3quio e centenas de mulheres estar\u00e3o defendendo o verde e amarelo. N\u00e3o esque\u00e7a de torcer por cada uma delas, de casa.<\/p>\n<p>Vamos juntos e juntas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano era 1941. Neste dia, um decreto-lei mudava o destino de centenas de mulheres brasileiras. 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