
A queda precoce do Botafogo masculino para a série B virou manchete na maior parte dos portais que cobrem esporte Brasil a fora. Não é pra menos. A terceira queda da equipe foi matematicamente decretada depois de uma derrota por 1 a 0, dentro de casa, para o Sport, pela 34ª rodada do Brasileirão de 2020, no início do mês passado. O rebaixamento sacramentou uma temporada difícil e cheia de erros: contratou 25 jogadores, utilizou quase 60 e teve cinco técnicos. Mas não dá pra dizer que foram só de notícias ruins que o time viveu.
A gangorra botafoguense aconteceu. Enquanto a equipe masculina acabou caindo, a feminina fez a estrela solitária brilhar e subiu. E aí, não deu para conter a alegria em General Severiano.
É claro que o rebaixamento do masculino afeta o financeiro do clube como um todo, mas a promessa da diretoria é que o grupo feminino não será prejudicado. Na Elite do campeonato nacional, é natural que os gastos aumentem, já que o time quer se manter na primeira divisão. “Nós temos a garantia da diretoria que tudo vai continuar da mesma forma: o apoio, a estrutura. Conseguimos, ainda, uma verba para reforços”, destaca o técnico Gláucio Carvalho, em entrevista exclusiva para o Entrelinhas. O time, inclusive, ainda segue na busca por contratações para a temporada.
Assim como aconteceu com outros clubes, a pandemia afetou o Botafogo feminino. Houve, sim, um atraso nos salários. Segundo Gláucio, no mês de setembro, tudo foi regularizado – graças a Deus, nas palavras dele. “Estamos em dia”.
É verdade que não são apenas as cifras que ficam abaladas com a queda. O psicológico e emocional também pesam, nessas horas. E, não à toa, o comandante conta com o apoio da torcida. “Eu tenho certeza que, nesse momento do clube, a torcida do Botafogo, apaixonada como é, vai abraçar não só o futebol masculino para retornar para a primeira divisão, mas também o feminino”, destacou Gláucio com fé na voz.
Investimento e persistência
Vice-líder do carioca feminino, o Botafogo começou a investir na modalidade quase que por obrigação. No Brasileiro de 2019, a equipe foi montada para cumprir a exigência da CBF – todos os times da Série A foram obrigados a montar equipes femininas. Em resumo, Rose de Sá, Coordenadora do futebol feminino, teve 20 dias para montar uma equipe e disputar o campeonato. O resultado foi previsível: lanterna do grupo 6 com apenas um ponto conquistado.
Gláucio chegou depois. Ao lado de Rose, se organizaram. Montaram um planejamento, contrataram uma nova comissão técnica, reformularam o elenco e usaram o estadual como laboratório. “Foi muito trabalho, muita transparência, muita honestidade, organização e competência. Do staff mais humilde ao presidente do clube”, relembra Gláucio. E aí, veio a ascensão.
Agora, na série A, o desafio será maior. Uma temporada competitiva, acredita o comandante. No primeiro ano de acesso, o objetivo é tentar chegar entre os oito. “São adversários fortíssimos, com tradição e investimento alto, mas vamos tentar chegar, se manter na elite e aí sim, em 2022, nos planejarmos de forma a buscar um título, uma final de brasileiro”, destaca o técnico.
“Lógico que o Botafogo futebol feminino é uma criança ainda, saindo de engatinhar para andar”, ressaltou o comandante. “Mas é uma criança que vai crescer com um alicerce forte, para que o futebol feminino se torne uma potência a médio e longo prazo dentro do Botafogo”, finalizou Gláucio.
O Botafogo é o primeiro time a entrar em campo pelo Brasileiro 2021. A bola rola no dia 28 de março, diante do Bahia.
