Não são poucas as histórias de jogadores que ostentavam com as cifras altíssimas faturadas durante a carreira e acabaram por perder tudo quando aposentaram. É verdade, sabemos que o pendurar as chuteiras acontece muito antes no futebol do que em outras profissões. Pelé, por exemplo, deixou de atuar aos 37 anos. Ronaldo, aos 35.
Se com os atletas do masculino existe a dificuldade de administrar o dinheiro faturado durante a carreira, para que não falte depois da pausa, no feminino, a situação não é diferente – e é ainda mais preocupante. Isso porque a aposentadoria acontece mais ou menos na mesma faixa etária, mas o salário acumulado ao longo dos anos é muito menor.
Para se ter uma ideia da diferença, vamos falar de dois gigantes: Marta e Neymar. Ela, eleita seis vezes melhor do mundo, ganha € 340 mil por temporada (aproximadamente R$ 2,3 milhões). Do outro lado, o craque brasileiro recebe € 91,5 milhões (cerca de R$619 milhões) – os dados divulgados pelo O Globo são de 2018. Isso quer dizer que a Rainha recebe apenas 0,3% do rendimento anual do jogador. Zero vírgula três por cento – vale enfatizar.
Nesse cenário, estamos falando de cifras astronômicas. Mas essa não é a verdade para uma boa fatia dos atletas brasileiros. “Existe uma diferença muito grande, não só dentro das diferentes modalidades, como também dentro de um mesmo esporte. Isso obviamente impacta o planejamento financeiro”, destaca Fernanda Cintra do Prado, sócia da Redoma Capital, empresa que administra e cuida dos patrimônios líquido e ilíquido de atletas profissionais.
Segundo Fernanda, a maior parte de seus clientes vem do futebol masculino – em virtude das altas transações e das inúmeras mudanças e expatriações que eles sofrem. Para ela, na essência, em se tratando de planejamento financeiro, não haveria uma diferença muito grande de trabalhar com atletas mulheres ou homens. Mas, na prática, essa disparidade afeta o trabalho.
“Um grande desafio é que o atleta tome consciência de que, aquilo que se tem hoje não é promessa do que se terá amanhã – isso em termo de rendimento e de salário”, destaca a empreendedora. “Uma dica é fazer um planejamento com suas metas de vida de curto, médio e longo prazo. Mensalmente, você define uma quantia que você vai separar dos seus gastos mensais a fim de contribuir com seu sonho futuro”.

A fim de garantir uma vida financeira mais saudável no futuro, é preciso começar a planejar no presente. Nesse sentido, é importante ter uma boa administração de investimentos e patrimônio.
“O planejamento financeiro é fundamental que seja feito o quanto antes, ao longo da carreira”, destaca Fernanda. Tanto para quem fatura cifras astronômicas quanto para quem tem salários mais “regulares”. “Diferente do que acontece em outras profissões, ela tem um tempo curto e pré determinado. Se o atleta não se planejar, começar a poupar e garantir investimentos que gerem renda para ele no futuro, além dele ter que se desfazer futuramente do patrimônio que construiu, ele vai ter problema também para manter o padrão de vida na aposentadoria”.
