{"id":9073,"date":"2023-01-01T13:17:39","date_gmt":"2023-01-01T16:17:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/?p=9073"},"modified":"2023-07-11T17:11:00","modified_gmt":"2023-07-11T20:11:00","slug":"bateu-saudades-dos-tempos-de-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/2023\/01\/01\/bateu-saudades-dos-tempos-de-pele\/","title":{"rendered":"Bateu saudades dos tempos de Pel\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/files\/2023\/01\/35068441671_1f5e507373_k.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9075\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/files\/2023\/01\/35068441671_1f5e507373_k.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/files\/2023\/01\/35068441671_1f5e507373_k.jpg 2048w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/files\/2023\/01\/35068441671_1f5e507373_k-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/files\/2023\/01\/35068441671_1f5e507373_k-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/files\/2023\/01\/35068441671_1f5e507373_k-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/chicolang\/files\/2023\/01\/35068441671_1f5e507373_k-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O ano come\u00e7ou diferente. Um dia cinzento. Um sil\u00eancio assustador. Nada de crian\u00e7as brincando na rua. Pessoas orgulhosas passeando com belos animais, cachorros de todas as ra\u00e7as. Ser\u00e1 que o tempo parou e n\u00e3o percebi? Estou mesmo com um buraco na alma. S\u00e3o Paulo est\u00e1 vazia e falta alguma coisa.<\/p>\n<p>Pensei nos entes queridos que partiram. Meu pai, o Velho Chico. Zez\u00e9, minha querida m\u00e3e. V\u00f3 Am\u00e9lia, a mulher de verdade. Pedro e Paulo, talvez, filhos t\u00e3o jovens, bonitos e com uma vida pela frente. Talvez um amigo de inf\u00e2ncia, F\u00e1bio, outra trag\u00e9dia marcada na minha alma.<\/p>\n<p>N\u00e3o. De um jeito ou de outro, descobri um sentido nessas tristes experi\u00eancias e sigo em frente. J\u00e1 sei! Fiquei sem ganhar presentes de Natal. Afinal, 2022 foi osso duro de roer. Ningu\u00e9m tinha dinheiro para jogar fora. N\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata disso. Resolvemos que \u00edamos esquecer mimos natalinos, fugindo de juros absurdo das mercadorias e consequentemente dos cart\u00f5es de bancos, cujos donos foram para o Exterior, gastar lucros absurdos obtidos com nosso esfor\u00e7o e trabalho.<\/p>\n<p>Era outra coisa a me incomodar. Algo corroendo minha alma. Me deu vontade de reencontrar os amigos de inf\u00e2ncia. Carl\u00e3o,\u00a0 Wilson, Z\u00e9 Preto, Tata, Valdir, Ivan, Milton, Regis, Salvatore, Edu, Daniel e o meu cunhado Carlos, que\u00a0 casou com minha irm\u00e3, Terezinha. Passar a madrugada batendo uma bola na rua, estourando as &#8220;tampas&#8221; dos dedos naqueles paralelep\u00edpedos das antigas. Do\u00eda para caramba e a gente nem ligava para os ferimentos. A &#8220;medalha&#8221; era a ferida com sangue pisado.<\/p>\n<p>Veio \u00e0 mente uma bola. Redondamente simples. As de hoje, ent\u00e3o, s\u00e3o macias, lisas, r\u00e1pidas. Quando era moleque a turma usava as feitas de couro, costuradas por presidi\u00e1rios, que tinham bigolin (se enchiam com bomba de bicicleta e tinha que afundar aquele tro\u00e7o para dentro). Era dif\u00edcil. Mas l\u00e1 estava o a\u00e7ougueiro do bairro, Seo Jo\u00e3o, para empurrar com jeito e for\u00e7a o danado para dentro da esfera. Ele tamb\u00e9m arrumavam sebo para a gente untar a &#8220;crian\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Um domingo com hoje, dia 1\u00ba do ano, \u00edamos a p\u00e9 da Pomp\u00e9ia ao Pacaembu (uns 5 quil\u00f4metros), palco de grandes espet\u00e1culos, rachas incr\u00edveis entre Corinthians e Palmeiras, Santos e S\u00e3o Paulo. Isso quando n\u00e3o vinham os cariocas, mineiros e equipes de outros Estados lotar aquele &#8220;Templo Sagrado&#8221;. N\u00f3s, todos moleques, pul\u00e1vamos os muros da rampinha, sub\u00edamos na marquise e outras loucuras de inf\u00e2ncia. Tudo de gra\u00e7a e com emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O &#8220;Parque Ant\u00e1rtica&#8221;, tamb\u00e9m era nossa &#8220;v\u00edtima&#8221;. A t\u00e1tica era a mesma. Pular os muros da rua de tr\u00e1s da Turiass\u00fa, ou subornar o porteiro, com moedinhas &#8220;arrecadadas&#8221; com muito esfor\u00e7o, dos bolsos do pai e da bolsa da m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u00c9 isso. Amanheci com saudades do futebol. De jogar at\u00e9 cansar, ou seja, o dia inteiro; e de assistir aos grandes jogos. Craques e \u00eddolos faziam parte daquele cen\u00e1rio pacato, inocente e feliz. Todos quer\u00edamos ser Ademir Da Guia, Garrincha, Rivelino at\u00e9 Pel\u00e9.<\/p>\n<p>Principalmente Pel\u00e9.<\/p>\n<p>Voc\u00eas n\u00e3o fazem ideia da emo\u00e7\u00e3o de v\u00ea-lo jogar. Aquelas arrancadas, os dribles, passes imposs\u00edveis, posse de bola, cobran\u00e7as de falta, cabe\u00e7adas. Tudo isso pelo meio, para cima dos beques, que ficavam desnorteados, de boca aberta, sem saber se rachavam a pelota ou o endiabrado camisa 10.<\/p>\n<p>Nas tardes de domingo n\u00e3o reinava apenas a &#8220;Jovem Guarda&#8221;, com Roberto Carlos. No Pacaembu, outro Rei era aguardado e reverenciado. Poucos meninos torciam para o Peixe. Contudo, corr\u00edamos como loucos para sentir a catarse de ver um futebol de outro planeta. R\u00edamos, vibr\u00e1vamos, arregal\u00e1vamos os olhos. Era um espet\u00e1culo. Gols de p\u00e9 direito, esquerdo, de cabe\u00e7a, joelho, coxa, calcanhar e qualquer outra parte do corpo, que lhe servia de instrumento para estufar as redes dos pobres goleiros advers\u00e1rios. N\u00e3o era um homem e sim uma for\u00e7a da Natureza, como um vulc\u00e3o, uma tempestade ou um tsunami.<\/p>\n<p>\u00c9 isso. Estou com saudades de Pel\u00e9. O vazio no peito vem da\u00ed. Esse neg\u00f3cio de dizer que morreu o \u00c9dson e o Pel\u00e9 \u00e9 eterno, n\u00e3o passa de um jogo de palavras para consolar nossos cora\u00e7\u00f5es. Na realidade, Pel\u00e9 n\u00e3o existe mais. Hoje pertence \u00e0 hist\u00f3ria, virou lenda, uma lembran\u00e7a. Infelizmente \u00e9 o que acontece com quem se vai para sempre. \u00c9 o ciclo: nascer, viver e morrer.<\/p>\n<p>Edson ou Pel\u00e9 deixaram de existir. O mais conhecido e honrado brasileiro de todos os tempos chegou ao fim. Parece mentira. Aquele deus negro, valente, astuto, genial, forte como um tuf\u00e3o virou saudade. E esse sentimento esmaga o peito, entristece, faz a gente lacrimejar.<\/p>\n<p>O dia amanheceu igual a tantos outros. S\u00f3 que sem o incr\u00edvel Pel\u00e9. Saiu da vida para entrar para a hist\u00f3ria. Brasileiro raiz. Quem pagou para ver, viu. Quem n\u00e3o viu, n\u00e3o ver\u00e1 jamais. Nunca mais ser\u00e1 feliz como eu e minha turma da rua Miranda de Azevedo e do Col\u00e9gio Claretiano fomos. Pel\u00e9 n\u00e3o \u00e9 eterno. E essa \u00e9 a trag\u00e9dia. J\u00e1 vi muitas e vou ter que conviver com mais uma. Acordei choroso e com uma saudade imensa daqueles tempos.<\/p>\n<p>A nostalgia est\u00e1 em mim. A nausea sou eu.<\/p>\n<p>E tenho dito!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano come\u00e7ou diferente. Um dia cinzento. Um sil\u00eancio assustador. Nada de crian\u00e7as brincando na rua. 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