
A saída de Memphis Depay do Corinthians hoje abalaria as estruturas do clube. O holandês trouxe títulos para o clube (Paulistão, Copa do Brasil e Supercopa Rei), e custa uma nota preta. Nos bastidores do Parque São Jorge, o custo-benefício continua sendo avaliado, envolvendo desempenho esportivo e impacto midiático. Só não pode prevalecer uma “economia burra”. Em campo, seria uma perda técnica irreparável. Ele é a “estrela” do time e tem correspondido com seu talento.
Memphis é jogador de alto nível. Criativo, finaliza muito bem e tem experiência internacional. Já jogou em Copas e grandes ligas. É o maior artilheiro da Holanda de todos os tempos. Nenhum jogador brasileiro na atualidade seria capaz de substituí-lo à altura. Contudo, tem um salário alto, padrão europeu, que assusta. A saída ajudaria a reduzir a folha salarial e equilibrar as contas.
Os danos seriam maiores sem ele, todavia. O time perderia aquele “cara decisivo”. Em grandes jogos, artilheiros assim fazem diferença. Além disso, tem um nome “global”, bom para atrair a mídia, os patrocinadores e a torcida. A presença dele aumenta a visibilidade fora do Brasil. Impacto de imagem com marketing imediato total. Só na época de Ronaldo Fenômeno o Corinthians teve tamanha popularidade.
No caso de uma saída, o técnico Dorival Júnior não dependeria tanto de um único homem para resolver na hora “h”. O time jogaria de maneira mais coletiva, dando espaço para os mais jovens, ou para aqueles de nível médio, úteis para compor elenco em uma longa temporada. Ou seja, a equipe voltaria a ser “normal”.
Por enquanto, o atleta se recupera de uma contusão ocorrida na partida contra o Flamengo, pelo Brasileirão. Foi convocado pela seleção para os amistosos da data Fifa, está se tratando com a comissão técnica holandesa e não tem prazo para retornar. Segundo médicos alvinegros, a reabilitação deve durar de duas a doze semanas. Dependendo da reação do atleta, pode não jogar mais pelo Corinthians nos próximos dois meses e se apresentar direto para o técnico Ronald Koeman para disputar o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá.
Por mais que a situação seja delicada, o que a diretoria do Corinthians não pode fazer é se apequenar. A grandeza do clube permite apostas como essa. Afinal, o patrocinador paga maior parte do salário de Memphis na atualidade e pode ter interesse em uma provável renovação. Tudo se resume em boas conversas ao pé da mesa e contas no papel, adaptar o orçamento à realidade. O holandês fez acordo para receber atrasados e já se mostrou disposto a ficar por mais um tempo. Basta um ajuste fino nessa relação até agora bastante produtiva e amistosa.
E tenho dito!